quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

particularmente, lua



"Sou diariamente a dor que me passeia
A dor que me anseia ser
Particularmente rua

Sou um sol brilhante
De um dia incandescente
Sou luz calor calante
Bruxa de um chão doente"


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Entre cãibras e espamos






Anestesia e taquicardia

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Não

Não seja professor. Não seja o professor que os alunos gostam. Não crie afeição por seus alunos. Não crie tanta afeição por tudo. Não faça coisas que as pessoas chamem de arte. Não se sinta bem sendo um incômodo -por mais leve que seja- no sistema do qual és parte. Não seja sensível em demasia. Não seja um incômodo para sua família. Não seja o estranho entre os seus amigos de infância. Odeie os detalhes. Não seja observador. Não fique surpreso com tudo que existe. Não filme eventos irrelevantes do cotidiano como pássaros voando ou gatos pretos andando em muros. Não cante alto quando estiver só. Não dance como se ninguém estivesse olhando. Não dance. Não ame a solidão. Não ame esses dias entre fins de dezembros e inícios de janeiros. Não ame. Não tenha vontade de fazer Tai Chi Chuan. Não pare para olhar a lua. Não pare. Não pare para ver o sol -seja indo ou vindo no horizonte. Não tome banho no maior rio do mundo. Odeie o maior rio do mundo. Não deixe a janela aberta. Não pesquise no google sobre os sons de Júpiter e nem de Saturno. Não faça desenhos. Não fale. Não escreva nada. Não minta. Não chore. Não tente resolver. Não tente fingir que é capaz de pinçar apenas o que lhe interessa na vida adulta e sair incólume. Não precise lidar com números. Não chore. Não tente entender. Não tenha dificuldade com definições. Não exista. Não seja. Não queira. Não sinta.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

visitas

Há um feixe de luz que às 17 horas me visita. Forte, alaranjado, concentrado, certeiro e bonito. Vem de fora, cortante, invade a casa e divide o caminho por onde passo. Pauso. Tento tocar sua etérea materialidade. Ele me toca, me contorna. Sorrio, o transpasso e sigo.

Há uma escuridão que me visita -sempre. Não entra pois que é dentro. Ela preenche todo o ar, assim me abraça confortavelmente... É bela. A admiro. A contorno. Dançamos. Dormimos. Sorrimos, ela me transpassa e fica.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Hoje

...é quando as plantas começam a secar no quintal.
É quando as cores começam a desbotar.
É quando quebram-se as bússolas.
É quando desmantela-se o que já foi - ou pareceu ser- inteiro.
É quando não sei onde pisar mas piso.
É quando respirar não é suficiente.
É quando -ofegante-  não sei, mas vou.          

sábado, 28 de novembro de 2015

sumir

Quem? O quê? Quando? Onde? Hoje. Amanhã. Ontem. Eu? Vida? Vida... Morte. Morte? Morte! Não consigo pensar e aos poucos vou deixando de agir, próximo passo: sumir.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Bob e Terry


Sobre a icomunicabilidade humana e coisas esdrúxulas que costumamos chamar de amor.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

terça-feira, 17 de novembro de 2015

17:36 de um dia de novembro

O urubu plana em movimentos espirais sob a luz queimada do sol que quase se põe.
Sozinho. Obscuro. Voante. Leve? De longe ao menos, sim.
Sons do mundo fazem a curva em meu quintal. Me abraçam.
Dias desertos.
Nada.
Ninguém.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

humano, transviado humano



"sinto não sentir, mais que um abismo entre nós..."

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

sobre a distância e suas mentiras


Espinhos no pé.
Galo na testa.
Garganta inflamada.
Dores nas juntas.
Dores, juntas.
Frágeis articulações.

Frágeis entrelaçamentos.

Sopros de vida no estômago.
Olhos de água. Brilhos, reflexos e profundezas...
Marés de coração. Ondas de existência. Sentires líquidos.

Derretências.

Flores da pele, flores da alma, flores das bocas e das mãos.
Eu rio e acabo por me molhar demais. Não sei como secar.
Nado, e acabo por nadar demais.
Mergulho e voo até chocar a cabeça contra um barco.
Até me chocar. Até me encharcar... Me afogo. Me afagas.

Morro.


domingo, 25 de outubro de 2015

calei-doscópio

Na esquina o ranger da placa da malharia, que tremula com o mínimo bater de vento.
Acima da cabeça, à esquerda, a lua.
Nos ouvidos, ondas de um "caleidoscópio sem lógica".
Pego as chaves.
Entro.
Permaneceço.
Calo.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Parabólica




Fonte desconhecida

terça-feira, 20 de outubro de 2015

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

águas de outubro - cantares líquidos - sopros, sonolências

Vem a onda e bate, espalha, balança e volta.
Constante impermanência, ruído salutar, barulho de água, canção de ninar.
Carinho nos olhos, vibração suave, vento na alma, leveza.
Espaço - tempo sem tensão, descanso, alento, mansidão.
Calmaria. Acalma. Acalmar... Calmario, com alma, calma/rio.
Mente oca. Ondas cerebrais líquidas. Volume baixo na cabeça, volume alto na água.
Fluir... Fruição.

Vem a onda e bate, espalha, balança e volta.
Cí-cli-ca....
Massageia as dores. Desembaraça o que é amargo.
Água santa que nada quer, nada espera, nada olha.
Apenas É, apenas molha, bate, espalha, balança e volta.

De onde vem o sol?
Vem dela, a mesma dona soberana da lua.
A dona de nós. Ela.
Aquela que enxarca, aquela que abraça, aquela que reflete, aquela que dilui.
Aquela que evapora, aquela que congela, aquela que derrete, aquela que flui.
Aquela que pinga, aquela que banha, aquela que rega, aquela que há em nós.
Aquela que tanto me fala sem precisar de uma só voz.
Ela que são muitas e que estão em toda parte.

Elas que dançam, elas que amansam, que carregam os barcos, que suportam os navios.
Elas que lavam, elas que testemunham, e que cantam pra quem sabe ouvir.
Elas que ajudam o universo a soprar seus cânticos afetuosos pra gente dormir.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

desconcentração

Não consigo me concentrar.
Não consigo acordar, levantar e resolver.
Não consigo resolver, não consigo.
Nada.
Aquela hora em que o céu fica azul e rosa... Aquelas horas todas derretidas... Aquelas horas todas. Coração inflamado.
Problema de desnitidez. Desfocolia.
Não me concentro.
Meus gestos mais mínimos, sempre destroem, em maior ou menor proporção, estão sempre destruindo.
Enxergo muito bem coisas que não são ou estão. Enxergo só o que se sente. Sinto demais.
Inflamação na alma. Doses diárias de pequenos vulcões.
Mente saindo do ar de quando em quando, ruídos de comunicação interna.
Câmera lenta.
Montanhas russas na garganta, ventos negros e agudos no rosto, ventos frios. Sopros desconcertantes de vida.
Existência erradia.
Em cada horizonte um nascimento furando a alma. Ao fim do dia, uma morte gritando a vida.
Àguas e sóis se pondo. Àguas e sóis nascentes.
Impermanência constante.
Cortes em um rosto sem boca. Boca que nada diz. Olhos que dizem mais.
Atenção demais, informação demais, não consigo me concentrar.

DROP THE GAME - Flume & Chet Faker


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Impotência, in potência






Ontem enxerguei num par de olhos, num coração e numa voz, um desespero tão meu... Vi em seguida no jornal um desespero que já havia tido em mim. Assisti, por fim, na rua, ao sair de casa, mais um desespero semelhante. Pensamentos sobre impotência começaram a volitar ao meu redor.... Impotência... Impotente...

Impotência é não poder fazer nada diante de algo? E poder fazer? É potência?
O que somos então durante todo o tempo que não nos desespera e não nos arranca o "poder fazer"?


sexta-feira, 31 de julho de 2015

distrações



Eu entendo os inábeis. Entendo os inertes. Ás vezes a gravidade da Terra pesa demais... E ela se soma aos campos gravitacionais que cada ser possui. Muitas energias. Confluências. Pulsões.
Sofro de um certo mal de ter necessidade de acreditar que sofro de algum mal. Às vezes parece que todos sofrem disso. Mas "todos" é uma palavra muito pequena para que nela caibam os sete bilhões de humanos desse planeta flutuante.

Flutuante... É a minha natureza. Mudança... Há uma ânsia imensa por mudar. O mundo é tão complexo, e eu aqui me apoiando em esteios com os quais pretendo a "desconstrução", a "transgressão", a "subversão"... Muitas coisas. Que diabos elas realmente são? Corações, desejos, missões. Cria-se tanta expectativa. Gera-se tanta frustração. Até onde se pode afinal? O que significa realizar?

Outro dia, em meio ao paraíso me veio o lampejo: "será que a dureza do deserto torna o oásis irreal?" Será? Até onde me levará essa busca obcecada por oásis diante das secas verdades do deserto? Que tanta vontade é essa de engolir as exceções e delas se alimentar ? Que tanta distração... No que isso me torna(rá)?

Se bem que para algo ser considerado distração há de se levar em conta um outro algo mais importante que mereça a atração maior, que seja o merecedor das atenções todas... E quem pode decidir que algos são esses? Se eu puder escolher o que merece atenção, se eu puder determinar isso, serão mesmo distrações todos esses meus passos? 




quarta-feira, 24 de junho de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

Lambada de serpente


"Danse Serpentine", coreografia da dançarina moderna francesa Loïe Fuller, eternizada em um pequeno filme colorido à mão, realizado pelos irmãos Lumière.


*Versão com trilha sonora de Sigur Rós, Se Lest.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

onde as coisas selvagens existem


''...Eu sou um Rei que não tem fim

E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração
Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarra, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor
Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais nem vou
Meninos, ondas, becos, mãe
E só porque não estais
És para mim que nada mais
Na boca das manhãs
Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
e nunca chego a ti"



segunda-feira, 1 de junho de 2015

BLOCO NA RUA - Sérgio Sampaio

''Há quem diga...''
 
-

terça-feira, 5 de maio de 2015

delicadeza





 
 






Já havia estado com um filhote de passarinho em suas mãos, já o havia alimentado e passado os dedos por sua pele fina sentindo seus ossinhos que de tão fracos deram a ela medo e consciência de seu peso e dimensão. Quão ínfima era aquela matéria, ainda que imbuída de vida, apenas um conjunto pouco denso de carne que facilmente morreria num simples fechar frio e demorado de mão. Em outro momento usando os dedos dos pés para acarinhar seu cachorrinho -uma raça pequena, leve e carente- esbarrou na mesma fragilidade, havia tanta delicadeza naquele pequeno corpo, tanta que um pisão forte ou um peso a mais nos seus pés pressionando aquelas costelas seriam capaz de ceifar também aquela vida.

Sentiu pena daquele ser e da sua ingenuidade. Lembrou do passarinho e também teve pena dele. Eis que alguns sopros de pensamento começaram a lhe rondar perguntando: “Que animais será que ao nos ter em mãos sentem também pena da nossa fragilidade humana? Que animal “gigante” me pode ter a tutela e me tocar cuidadosamente as vértebras, com medo, com horror, ou pena, por tamanha delicadeza? Que bichos são esses que não nos matam por não querer mas qualquer uso de seu potencial total de força extinguiria o que nos mantêm vivos?” Se imaginou sendo cuidada por um elefante, uma baleia, uma árvore antiga.. Teve pena de si mesma.
 

domingo, 12 de abril de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Eu. Aqui. Agora.

Tem uma agonia, uma inquietação, um peso que me acomete de vez em quando - principalmente nos dias em que menstruo.- Não sei se acontece com todas as pessoas, mas é muito estranho existir nesses dias... Ou, nesses dias entendo mais bruscamente quão estranho é existir... Cada ser. Cada cor. Cada corpo. Cada voo. Cada andar... Delicadas perturbações que me esmagam a alma. Me esmagam e ao mesmo tempo me fazem chegar em terrenos esquecidos/adormecidos dentro de mim.

Eu existo, tudo existe. Há vida. Há morte. Não é tudo sobre mim, mas tudo existe por que eu existo, afinal cada um é criador de seu próprio "tudo". Quando chegam esses agoras, me sinto menor/maior. Explodo, gozo, choro. Êxtase... Uma espécie de espasmo - só que duradouro- de lucidez.... Me sinto conectada. Me sinto bem, me sinto mal. Me sinto. Universo, uníssono, um, uma. Eu. Aqui. Agora. Pequena mente, pequeno coração, pulsação... De cá chora meu espírito um cântico de amor e dor, uma prece por todas as vidas que escorrem esquartejadas pelas ruas, pelas matas, pelas pontes, pelos mundos. Toda essa gente que vive tanto, que morre aos prantos, que não entende, que esbraveja, que quer amor, que odeia, que fere, vive, dói e arde.

Eu, gente, hoje: existo. Ontem: existi. Amanhã: não sei. Ontem morri, hoje morro, amanhã também. Abençoados sejamos todos nós, que existimos e desconhecemos o universo. Que somos/estamos e disso mesmo padecemos. Abençoados sejamos, seja lá pelo que for.

terça-feira, 7 de abril de 2015

quarta-feira, 4 de março de 2015

Devaneios madrugados


Tenho lembrado de meus sonhos noturnos. 
Talvez a calma, talvez a alma...
Algo sossegou, algo é agora sereno. Amanheceu será?
Creio que não... Madrugou, apenas.
Essa tranquilidade é de sono e preguiça de acordar (?).
Tranquilidade de fuga, de não querer ver (?).
Que seja, ao menos, que seguir nessa estrada pedregosa não é assim fácil.
Passar voando alto às vezes calha.

Até que chegam outros dias, outras tardes, outras noites, outros outros...
Chegam novas madrugadas, novos madrugares, novas coisas velhas, mente que não cessa, questionamentos intermináveis, dores nas costas, inércia, espasmos, cãibras.
Coração erradio, buracos negros, meia-noites e quintessências, seres e sentires em expansão.
Quasares "pulsando lôa"s. Eu, pequena-grande, infinitesimalmente infinita.

Flashbacks de momentos vindouros pingando a todo momento na bica da alma.
Flashbacks de futuros vividos fazendo lodo nos becos do coração.
E o que de fato já passou, insiste em passar pra sempre, insiste no infinitivo, insiste em me visitar. Insiste, insiste...

Amanheço aqui dentro e acordo da falsa sensação de sossego.
Nada passou, tudo está aqui. Tudo vem e vai.
"Tudo" é uma coisa que pesa e cansa.
"Tudo passa." Sim, tudo passa, passa mas não vai embora, passa por mim a toda hora.
Passa e me arranca o que é sereno, passa e me tortura os olhos de dentro.

Sim, "tudo passa", passa mesmo, até demais, não para de passar e quando passa, me leva junto.

terça-feira, 3 de março de 2015

Sonhos intranquilos...


Carla Antunes - sonhos intraquilos



...um dia desperto.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

sábado, 7 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

não lucidez ou as vozes na minha cabeça




Não tenho vontade de escrever nesse momento, mas me parece importante marcar e destacar este período em que de forma cada vez menos sutil e cada vez mais difícil de lidar, me percebo entrando em um estado de insanidade. Não vou escrever em terceira pessoa e tentar disfarçar que trata-se de mim aqui. A loucura que sempre me habitou, a loucura que sempre fui, tem soltado das rédeas da minha mente. E aí, vejo que talvez não tenham sido sem fundamento as vezes que brinquei dizendo que meu futuro seria me tornar "doida de rua". Meu cérebro possui um método estranho de operar, um não método, um jeito auto-sabotador bombardeante de administrar a matéria que envolve meu espírito. Não tinha pensado nessa divisão, e de repente ela mesma me parece a resposta pra tanto descompasso... Eu, espírito, sou resolvida, entendo o que sou e apenas sou. Eu, consciência filtrada pelo cérebro, me sinto um discurso escrito em certa língua materna sendo dito por um estrangeiro que não a conhece, não a compreende. Aqui dentro minhas milhares de vozes não param de falar.. Quanto tudo! Quanto tanto! Quanto muito!...Ao mesmo tempo, toda hora. Meus objetivos se perdem em meio a caminhos atraentes de informações e conteúdos dispersantes, histórias, perguntas, texturas, olhares, gente. 


Não lembro de alguém ter me explicado quando era criança o significado de "sonho". (Nunca tinha parado pra pensar nisso também...) Estranho como essa palavra me comove. Ela é mais que um conjunto arbitrário de símbolos de fonemas pra mim... Talvez ninguém nunca tenha parado para me explicar o significado dessa palavra. Mesmo que o fizessem, eu provavelmente teria dispensado com o tempo tal explicação e teria permanecido com a minha que sempre esteve em mim como um pensamento-unidade, um pensamento que existe, além da linguagem e não precisa ser pensado para ser sentido. Eu guardo sonhos em mim, que de tão fundos, não os alcanço. Meus sonhos são como seres sem boca, olhos, ouvidos, nariz, mãos.... Seres sem a possibilidade dos sentidos, impedidos da comunicabilidade por suas condições (de estarem ou de serem?). Sinto enormemente esses seres aos montes povoando essa mistura de carne e espírito que sou agora, eles SÃO, eles SABEM, eu me debato na tentativa de alcançá-los, tocá-los. Os persigo como quem tem certeza de que existem e mais que isso, como quem existe devido a ELEs. (Letras maiúsculas na tentativa ridícula de adequar a escrita ao que não pode ser explicado, ou dito.)

Não sei o que de sonho carrega a loucura, mas de dentro da minha ignorância abissal sempre senti como se fosse uma escolha e não uma "imposição" (a "insanidade"). Me parecia sempre uma fuga consciente, de seres que de tão inteligentes e grandes não cabiam nas regras e jogos sociais, não cabiam no tempo inventado, nessa ordem toda que está imposta. Me parecia liberdade, jamais aprisionamento. Já não sei... Se enlouquecer for isso mesmo que eu pensava não é de assombros de loucura que tenho padecido, mas não sei, parece ser alguma espécie de doença do existir/ser/sentir... Viver me emociona muito, é tudo muito grande e minúsculo. Cada detalhe funcionalmente aí, simples e assustadoramente... Existindo! Tudo isso que existe me pesa tanto que invade as organizações internas pelas quais tento, por questões de sobrevivência, me guiar. É uma bagunça, uma desconstrução constante, um permanente "estamos em obras".

Minha matéria além de sonho e loucura, tem absorvido muito de medo e dor. A dor de ser humano, de ser pequeno de ver o sentimento das pessoas e também o ter. De ser dor, por que esses olhos e corações todos aflitos o são como os meus, como eu. Eu sou o mundo e as pessoas e tudo isso é em mim tal qual sou neles. Meus mundos, cheio de deslubramentos e desmoronamentos...
Queria entender melhor o significado da palavra sonho na linguagem humana, talvez entendesse melhor essas existências misteriosas que me habitam ou entenderia de uma vez que nada têm elas com sonho.

O fato é que tudo parece esplendoroso de longe, mas as redomas são imaginárias e a vida diária é real e duramente sábia. Pequenos acontecimentos podem se tornar filmes assombrados nos quais se aprisiona, de cujos loopings não se é capaz de libertar. O passado, o presente, as misturas, as mudanças de rota, os desvios que gerarão outros futuros que não deveriam ser meus. Os pequenos acontecimentos costuram calma e impiedosamente as dores uma a uma, com pontos firmes... A linha é grossa e áspera, mas a agulha é fina e aguda. Aperto os olhos. Ruídos de fora do ar... Tudo isso é cheio de medo, mas a origem, o lugar onde nasce o medo, não sei. 

A junção das infinitas substâncias derivadas do medo, do sonho, da loucura e dos pequenos acontecimentos (em especial aqueles que doem), essa combinação é corrosiva, mas é uma corrosão que ao invés de destruir e matar, cria, constrói. Como se o escuro em vez de ser ausência, fosse presença, partícula assim como a luz, só que com outras propriedades, próprias do escuro. A corrosão vai criando outro ser no ser mesmo que existe, não é uma crisálida, mas não deixa de ser um envólucro, uma casca, que se torna o próprio ser. E assim vão se tornando isso a que me tornei, uma quimera, um diabo, mesquinho e esquisito com seus trejeitos de humano, com amor nos olhos e rancor no coração.

O poder das pequenisses diárias doloridas.... Tão grande...Não pelas próprias coisas em si, mas por ser de gente a composição do seu derredor. E gente DÓI, gente ARDE, gente É. Tudo fica maior quando se tem pessoas no meio, e nada há nesse mundo que não as tenha e é só por isso que é assim tão comovente e bonito esse "tudo" a que me refiro tanto.

O problema é a prisão, o problema é o looping, quando não se consegue mais fazer "a expedição dentro da cela", quando as vozes todas falam as mesmo tempo, a te zombar, humilhar, ferir... Quando essas mesmas vozes te amam, quando você percebe que todas as vozes o tempo todo são tu mesmo. Quando teu coração corroído sente medo de continuar existindo, quando uma "euforia sufocada" lhe pinça do tempo-espaço e te transporta para uma dimensão outra, alheia aos antes, alheia aos hojes, alheia aos depois... Alheia ao bom senso, ao que se espera, ao que se deve fazer. Dimensão confusa e perturbadora que te leva sempre ao ponto do qual partistes. Uma infinda tentativa, uma infinda culpa, uma infinda agonia. Nada finda, e tudo recomeça, o tempo todo. Em meio aos prazeres e belezas inerentes ao viver, impulsos de morte, impulsos de não querer. Amor... Música... Minhas linhas... Minhas missões... Meus três pares de sapato pretos... Humanos... Minhas mãos... Meus quereres... Meus espasmos. 

Me explicaram muito e de diversas formas o que significa "amor"... Entendi tudo errado, mas também não eram certas aquelas explicações... O rio, a canção do vento, o cuidado... Minha imperfeição, minhas energias deletérias, minhas cãimbras, minhas vozes, meu quarto, minha aleatoriedade, minha dispersão, minha insistência, minha teimosia, minha podridão, minhas larvas, minhas patas, meus "vincos amargos nos cantos da boca", minhas lembranças. Leio livros de acordo com meu estado, leio ao mesmo tempo, não os termino nunca, há anos. Meus desenhos...

Não faz assim tanto tempo que eu vivo através desse corpo, mas me pesa muito tudo. A incoerência que eu sou me mata mas me mantêm viva. As vozes... Me xingam, me odeiam, me machucam. E elas são eu. Eu nem devo existir. O que sei é que não tenho tido vontade de dormir e essa ideia de que estou enlouquecendo não tem me abandonado. "Vou morrer esse ano", pensei um dia desses, não sei se foi um presságio, um desejo... Não sei... Sei das reticências... Dos lugares vazios... Dos abismos... Desse país transtornado, feio e corroído que eu sou.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Canción del Vento - Perota Chingó

"Teu mistério é muito
Mais interessante do que
Minha imaginação
Quando caíres em minhas águas
Vou mergulhar em ti
Olhando o reflexo
Vou mergulhar em ti
(....)
Densificaria o ar
Densificaria o tempo"

Não consigo parar de ouvir a "Canção do vento".

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Eu:quem?

Amiga imaginária do meu amigo imaginário. Entre caimbras e espasmos, a eterna sensação de primavera minguante.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Com licença

Foto: Silvia Marques

domingo, 11 de janeiro de 2015

Pra me situar no tempo e espaço, pra firmar no chão, pra além dos devaneios...























...um autorretrato.

*Sim, eu existo além da minha mente perturbada.
**E o meu semblante nunca mais condisse(?) com meu cerne.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sonhei existindo dentro de um quadro de Dalí.






Hoje sonhei com Dalí
Meu coração, uma maçã com um diabo dentro
Tudo/nada naquilo que me en-torp/louqu-ece
Tenho sede
Preciso sonhar existindo em uma música do Raul
ou dentro da sanfona de Dominguinhos

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Entre casais



Há uma energia que desde que nascemos nos impulsiona  à conexão com as pessoas. Existir, nos 
contextos humanos, é, em muitos casos, uma violência. Comumente, somos levados por essa 
violência a nos tolir do desejo que nos acompanha de buscar conexão, por sentirmos a dureza 
da ausência e da negação desse atrelamento. Encontramos, muitas vezes, subterfúgios para 
furgirmos, mas o fazemos justamente por ser tão forte- consciente ou inconscientemente- a 
necessidade dessas ancoragens de existências. Independente das conjunturas, o amor é sempre ponte, 
ligação. E é sobre isso que o filme Entre Casais, de Will Alvez, fala, mesmo sem fala alguma.

A noite
















"Tudo permanece no mesmo lugar, exceto nós mesmos... Exceto nós mesmos." Ao som desta frase se inicia o "A noite",  (de Rodrigo Amboni), uma produção que incomoda as pupilas,  a mente, a alma...

Personagens misteriosos nos levam com seus devaneios por caminhos labirínticos, sempre a encontrar com pessoas sem história mas com muito a dizer. Vozes e silêncios que ecoam e refletem no vaivém da cadeira de balanço, no focar e desfocar da lente que filma e da consciência de quem assiste.

Vida e morte.
Presenças, ausências. Sonhos, vigílias... 

A confusão, a deriva, o mergulho, a solidão. Estranheza bonita. Poesia. Em muitos momentos, mesmo sem o enegrecer, se faz noite, a noite que há em todos nós: Escura (mesmo que clara), densa e misteriosamente inexplicável.

Site do filme
Trailer
Página no facebook

domingo, 16 de novembro de 2014

...Pelo mundo, pelas pessoas, pelo peso do existir.



Quem vê um caminhão ao longe, não compreende sua densidade. O coração acredita na leveza que os olhos enxergam. Tocá-lo pode ser suficiente para assimilar tamanha materialidade. Mas ser atropelado é saber que ele existe. Ser atropelado é existir e entender de súbito o que É um caminhão.

Parece que o mesmo acontece com relação às pessoas. Com o tempo a gente esquece a densidade do buraco negro que compõe o eixo das almas, inclusive das nossas. Esquece que ele se expande, que engole o que tem ao redor, tem incontáveis dimensões dentro de si e que é infinito e misterioso em seu interior. E de longe, todos somos leves, lindos e temos boa intenção. De perto, todos nós doemos, pesamos, ardemos. Chegar perto e tocar, pode ser também suficiente para se enxergar de fato (com a alma) uma pessoa... Mas, nada como sermos atropelados...



*E os cães latindo descontrolados, permaneceram a me seguir, mesmo tendo eu buscado outra rua.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Chegando de mansinho- Dominguinhos



Sempre chegando... Sempre cabreira... Sempre de mansinho...
Uma eterna criança nesse lance doido que é existir.
Sempre com "uma sacola murcha 
Sem nada dentro pra mostrar
Mas com "um coração imenso
Cheio de esperança e amor pra dar"


terça-feira, 23 de setembro de 2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre cair e permanecer em queda.



Passado, presente, futuro...Memória que enlouquece, pensamento em círculos, em ciclos, existência que adoece...

Aquelas flores cheirosas que ganhei e que parecem não ter forças para sobreviver nesse vaso erradio de terra preta em que as coloquei.
Aquelas pinceladas pretas, fortes, finas, sinuosas. Tinta que manchou.

O êxtase do desbravamento do desconhecido. Prelúdio Continuação da queda, consequência do tempo dedicado a olhar o abismo.

Aquele recuo que tanto tempo atrás comecei a dar, para pegar impulso e pular mais alto, voando por sobre o precipício... Aquele retrocedo... Me imobilizou os braços e me confundiu a alma e as pernas... Em cada arroubo de assombros, me puxou mais para trás, como se fosse para trás que eu devesse ir. De costas, percorrendo o caminho contrário, por entre curvas tortuosas, reencontrei o vão em meio às gigantes pedras, e como se houvesse ali um chão, pisei.

Pisei, no nada, no vácuo, no escuro do mundo e a trajetória mudou a direção para baixo, e como quem nunca teve asas, cai.






E depois é o temor, o tremor, e uma dor que dói grave e me esmaga partindo do útero e se espalha em mim. Eis que de tanto a alma sangrar, o corpo sangrou pela segunda vez.

Sinto meu tato se distanciar, olho para minhas mãos como um morto se olha ao morrer. Sinto minha alma enfraquecer. Mas sei que vivo pois o peso do mundo ainda me devasta. Saindo de mim para o universo e vindo do universo para dentro de mim.

Noto de novo que, "viver dói e ai dos dias que me lembram disso". Ai desses dias pois que se tornam noites e pois que neles não há tempo, nem porvir, nem continuação.


A cãibra vem do peito e afeta todos os órgãos. 
                                                                                                                                 Paraliso o o       o   o.



A vida só sinto nos espasmos, segundo a segundo, a me perturbarem os músculos confusos.

Me desprendo lentamente do chão e me diluo, por entre inércias e impulsos. Me espremo, me aperto, e reluto em diminuir, mas me apequeno mais e mais, como quem tem o coração envolto por uma corda áspera, amarrado intensamente com várias voltas ferinas e hostis.

Uma corda de apequenar... Uma corda de ser mal. Uma corda de ser gente...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Olhando agora para um despretensioso pássaro que desenhei, descansando despretensiosamente - preso no universo de uma folha branca- sobre a mesa em que costumo desenhar, lembrei que ontem, ao olhar para o mesmo pássaro, me direcionaram a pergunta/afirmação: "Agora tu é ornitóloga é?" Eu ri e respondi: "Sempre fui. Já não te disse isso?" Dei a resposta re(vi)vendo uma série de flashbacks na cabeça. Revendo hoje as mesmas lembranças, que se tratam de como me "iniciei na vida de observadora de pássaros", me senti com a necessidade de registrá-las, por isso, aqui estamos...Minha vida de "ornitóloga" teve início "mais sério" (rsrsrs) em um dia de natal daqueles em que natais ainda tinham algum estranho encanto e eu ainda achava que era tudo uma grande desculpa para ganhar aquele brinquedo que passara o ano todo querendo.

A noite era de 1999 (ou seria 1998?), minha avó materna ainda estava viva, e, se não me engano, era o último natal que passaríamos no mesmo plano. Pois bem, lá estava eu, em sua casa, sentada em sua cadeira de balanço feita de vime, abrindo a caixa de meu presente, fingindo não saber do que se tratava, ignorando o fato de que dias antes do natal ficara sabendo do presente que meu primo - de mesma idade que eu- ganharia, que seria uma  câmera filmadora de brinquedo, e que já havia batido o pé e enchido todos os sacos cabíveis para ter uma igual, afinal eu merecia algo tão fantástico...(rsrsrs) Me empolguei tanto com o recebimento do negócio que abri a caixa de um jeito que o brinquedo, que era pesado e de material quebrável, despencou direto no chão! (Isso agora me lembrou uma expressão que li em algo de Drummond, que nunca mais me largou depois que vi e agora noto que na verdade sempre me acompanhou só que eu não sabia. A expressão é : "euforia sufocada".) Foram aqueles segundos em câmera lenta em que o mundo inteiro pára para arregalar os olhos e transformar tua patetisse em uma aberração incomensurável. Não lembro se chorei, acho que não, mas sei que me desapontei comigo mesma e guardei o episódio como mais um para reforçar outros tantos que já havia ocorrido e outros milhares que estavam por vir, os quais só comprovam meu talento para o descompasso diante do mundo.

Sobre o presente, esse era um brinquedo magnífico, vou até procurar na internet e ver se encontro a imagem. Mas lembro que as principais cores eram branco, vermelho e azul, e talvez tivesse lugar para pôr alguma fita, mas na verdade, nunca tive certeza se ela filmava de verdade ou não, afinal, quebrei no dia que ganhei.  (Agora lembrei que também tive um brinquedo gravador que vinha com microfone, tive poucos brinquedos, mas eles eram bem legais pelo visto).

Após a queda, a parte da lente se desprendeu do corpo da "câmera", ela era um objeto cilíndrico, quase como um rolo de papel higiênico sem o papel, só que um pouco mais larga e mais comprida, parecendo um objeto de observação, não uma luneta, nem uma metade de binóculo, pois a lente na ponta pouco aproximava os assuntos observados, mas era convexa e olhar através dela causava algumas distorções nas imagens e em mim causava a sensação de estar observando melhor as coisas, uma vez que a lateral circular servia de moldura para a visão, e me dava a sensação de foco, pois os olhos só conseguiam ver o que se mostrava dentro da tela redonda que parecia surgir do outro lado.

Sempre fui muito observadora, detectei muito cedo em mim um enorme prazer em perceber os detalhes e sempre viajei demais nas infinitas possibilidades de texturas, cores, movimentos, linhas e elementos desse tipo que estão contidos em tudo que existe. E viajava tanto que ficava para trás nos passeios, tropeçava, me perdia, deixava coisas caírem, etc. O curioso é que justamente por estar sempre muito atenta a algum detalhe específico (que quase nunca era o trajeto que fazia ou  a localização de quem estava comigo nos lugares) recebi as alcunhas de "desatenta", "lesa", "lerdinha", ''devagar", durante toda a minha vida (até hoje).  



O fato é que a aquisição compulsória daquele "objeto cientifico de observação" otimizou minhas "pesquisas empíricas" da época, e todas as tardes, (após os filmes das sessões da tarde, claro) eu ia para a área da frente de casa e subia no que tivesse de alto por lá, e passava horas de pescoço levantado, com um olho fechado e o outro olhando através da lente o movimento que cada ser voador fazia naquele céu que ia do pátio da nossa casa ao infinito do universo. Cada voo, cada abrir de asas, cada pouso no coqueiro, cada briga, (cada cagada rsrsrs), cada passarinho e cada passarão, todos. Comecei a me considerar uma "observadora de pássaros" e nunca mais parei, simplesmente. Meu precioso objeto de trabalho se perdeu com as mudanças de casa, mas em minhas ultimas lembranças dele o vejo com o vidro da sua lente já bem debilitado entre sujeiras e arranhões advindas de tantos trabalhos de campo... Observava os detalhes de tudo e normalmente fazia os relatórios na hora, e em voz alta, quando ninguém se aproximava, claro. 

O mundo doido do portão para fora, a rua, as pessoas, o fluxo da cidade seguindo e eu lá encasquetada com tudo aquilo, quão impressionante me pareciam aqueles pequenos seres que podiam voar! Não sei se me impressionava mais com os pássaros ou com a forma como as pessoas os consideravam como mais qualquer coisa normal da paisagem. Me encantava como eram tão serelepes, tão curiosos, tão leves. "Eles voam!  Cantam! Possuem vida, expressões... Será que pensam? Brabos eu sei que eles ficam, então será que ficam felizes?" Pensava eu... E todas aquelas penas e cores? Quanta delicadeza e beleza! E assim, passava as tardes me enchendo os olhos e me enchendo a cabeça de pensamentos engraçados que só criança consegue ter. Tudo isso graças à câmera que eu quebrei...

Procurei na internet e não encontrei uma imagem desse brinquedo que tive, muito estranho... Ainda mais para mim que quase não confio em meu cérebro e preciso vez ou outra (quase sempre) de provas concretas para voltar a acreditar que certas coisas de fato passaram pela minha vida. Mas como minha experiência como observadora de pássaros nunca passou, não fica difícil ter certeza dessas vivências todas que me vêm a mente com muito afeto e a leveza da infância bacana que tive. Hoje sei que "observar pássaros" é realmente uma profissão e possui um nome complicado: "ornitologia"... Eu seria uma ornitóloga com muito prazer, com certeza. Mas como nunca levei a sério as análises das minhas pesquisas de quintal, continuo sendo uma singela "observadora de pássaros" mesmo, que adora perceber o detalhe que eles são diante de tudo. Detalhes lindos e impressionantes, que ainda me causam espanto e muita admiração.



sábado, 24 de maio de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Seres imóveis povoam minhas margens. Onde a vida?
Sinto apenas o sobrevôo de pássaros invisíveis.
Só voz e canto...
E é pesado esse vento que sustenta minha mão e esmaga meu rosto.
Muitos hequitares inóquos, movimentos internos desconhecidos.

Onde a ânsia pelo porvir?
Árvores altas dançam ao redor e enganam minha vista.
Há uma Samaúma em todo ser que existe.
Existem muitas coisas nesse mundo... Eu não dou conta.

quarta-feira, 12 de março de 2014

E é tudo medo

Na madrugada, pássaros da noite entoam cantos tristes e choram suas duras penas.
Bati a coxa na quina da mesa. Dor aguda. Dor roxa.

Tortuosas torturas...
Meu manto rasgado enleva o cardume e o cheiro de vida que flui da água.
Houve um tempo em que as pessoas me amavam....
Eu era maior que meu corpo, muito maior.
Era flutuante, leve, composta de uma suposta lucidez translucidamente clara...
Já não sou.

Quando a leveza se vai, o que fica dói e fere.
Quando não se é mais leve, se é pesado e se causa pesares.
Se é preenchido com pedras e se vira uma arma de se proteger. 
E é tudo medo, eu sei.







terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Á minha espera, para que salve à mim mesma.









Deitar nos trilhos, impulsionar-se em direção ao caminhão, saltar dum lugar longe do chão, cair num lugar sem fundo, voar para a hélice de um avião, mergulhar e não voltar, afundar...
Fazer tudo isso e esperar...
Esperar ser salva....
De si mesma. Do peso todo que há. Dos buracos. Das imagens embaçadas.
Dos sentimentos desfocados.

Ser salva dessa sensação de precisar ser salva.

sábado, 14 de setembro de 2013