quarta-feira, 12 de março de 2014

E é tudo medo

Na madrugada, pássaros da noite entoam cantos tristes e choram suas duras penas.
Bati a coxa na quina da mesa. Dor aguda. Dor roxa.

Tortuosas torturas...
Meu manto rasgado enleva o cardume e o cheiro de vida que flui da água.
Houve um tempo em que as pessoas me amavam....
Eu era maior que meu corpo, muito maior.
Era flutuante, leve, composta de uma suposta lucidez translucidamente clara...
Já não sou.

Quando a leveza se vai, o que fica dói e fere.
Quando não se é mais leve, se é pesado e se causa pesares.
Se é preenchido com pedras e se vira uma arma de se proteger. 
E é tudo medo, eu sei.







terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Á minha espera, para que salve à mim mesma.


Deitar nos trilhos, impulsionar-se em direção ao caminhão, saltar dum lugar longe do chão, cair num lugar sem fundo, voar para a hélice de um avião, mergulhar e não voltar, afundar...
Fazer tudo isso e esperar...
Esperar ser salva....
De si mesma. Do peso todo que há. Dos buracos. Das imagens embaçadas.
Dos sentimentos desfocados.

Ser salva dessa sensação de precisar ser salva.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Santa tempestade



Nossa senhora da tempestade...
Me molhe.


Nossa senhora da mágoa...
Me deixe.


Nossa senhora do vôo...
Me leve.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Morreres

Outro dia tive a sensação de conhecer a morte. A senti como um sopro forte e esmagador. Um sopro de dentro pra dentro, que ofega a respiração e suga todo o espírito para si mesmo numa súbita contração da vida. Me senti como um abismo caindo dentro dele mesmo. Como o ato de engolir o mundo  que bruscamente volta-se para o próprio eixo da garganta e desdobra o ser ao avesso, fazendo com que ele mesmo se engula.  Foi como perder a consciência em um liquidificador e o sentir sendo ligado de quando em quando, por frações de segundos e nestes instantes assistir ao esfacelamento do que já há muito não era inteiro.

Esse sopro me ronda, e faz parte de mim. Ele me faz buscar a dor, o sofrimento, a porrada, o choro. Me faz sentir a necessidade de me aniquilar, mesmo que sutilmente, buscando na vida tudo aquilo que me morte. Há outros sopros que me compõem e que me puxam a outros desejos me salvando de mim mesma. Às vezes eles são fortes o bastante, às vezes não. Eu fico no meio, me debatendo, borbulhando de um extremo a outro como o mercúrio cambaleia dentro de um termômetro.

Parece que quando viver passa a pesar, áspera e sufocantemente, voltar atrás acaba se tornando impossível. E parece também que só o que se pode fazer é sentir o peso cada vez mais pesado do mundo ou amenizá-lo com os subterfúgios mais práticos e eficientes, convencendo a si mesmo de que a vida pode ser menos densa do que ela realmente é.




segunda-feira, 8 de abril de 2013

e o tempo levou...































Tempo é esse sopro que nos leva e nos muda, e nos planta, e nos germina, sem que a gente perceba.

E só o mundo nota tudo o que ja fomos, e só ele conhece tudo o que ainda vamos ser.








quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

certoerrado


Bem e mal, certo e errado. Não existem. Existe você. Existem suas vontades, expectativas... E as pessoas. “Os outros”... Eles também existem, com seus próprios vislumbres. As pessoas se sentem bem ou não, de acordo com o que lhes rodeia. Elas podem fazer bem ou mal umas as outras, mas isto é secundário diante da linha progressiva que guia seus atos visando um “ir” que lhe cause o bem. As pessoas querem se sentir bem. Tem uma força que move a todos e faz com que viver tenha algum sentido, e esta força se extrai justamente do viver. E no viver, as pessoas buscam seu próprio bem-estar. Independente “dos outros”. Não de todos os outros, mas de alguns. Por que uma parcela dos “outros” é necessária para que este bem-estar se estabeleça. De repente não exista bondade, não exista amor, não exista paz. Talvez só exista a liberdade. E nós.

Talvez esses substantivos abstratos sejam o coelho das corridas de cachorro. Algo a ser buscado, seguido. Algo que nos impulsione em frente com tanta força que não possamos nos deter e nem somos capazes de entender ou querer entender o por quê.

O que diz se algo é bom ou ruim? Seria o número de pessoas que se beneficiam com ele em detrimento ao número de pessoas que se prejudicam? Se deixar mais pessoas felizes do que tristes, este será algo bom? Ou seria a intensidade da felicidade ou da tristeza a unidade de medida mais adequada? Será mesmo que alguma coisa nesse mundo pode ser medida? Por que esperar dos outros exatamente aquilo que  não sou capaz de fazer? Por que exigir que as pessoas sejam exatamente o que eu não sou? Por que necessitar de tanta atenção? Por que tentar fugir tão desesperadamente da condição humana mais forte? Por que seguir em meio a toda essa estrutura de caminhos pré-traçados? Caminhos prontos desde muito antes de nascer. De eu nascer. De os outros nascerem. O que é um caminho? O que é andar? O que são essas estradas misteriosas que se cruzam dentro de mim? É tudo feito de medo. E é tudo falso. E todo mundo se empenha tanto em falsear ainda mais tudo o que existe... Fuga! Fuga...

Entre dormências e espasmos ainda sinto estrelas nascendo em mim. Sinto que nada é real e ao mesmo tempo tudo o é. Preciso parar de querer tanto. Preciso não esperar tanto das pessoas. Preciso não adotar como meus os substantivos abstratos que movem esse mundo. Coisas me fazem bem e coisas me fazem mal. Mas eu nem sei o que significa isso direito. As pessoas só estão tentando viver, elas não tem a menor culpa. Culpa é outra coisa que não existe... Tudo age por uma força motora oculta que impulsiona tudo à frente. E por isso existe amanhã. Eu não sei de nada. As pessoas não sabem. Quem escolheu no que temos vindo acreditando durante todos esses milênios? Quem escolhe que caminhos devem seguir os amanhãs?

Me sinto aprisionada pelas palavras, e vejo que toda a humanidade está. Imaginam uma revolução das máquinas, da inteligência artificial... Falam em controle do criador pela criatura... Pra mim, isso já acontece desde que inventaram a palavra. Eu quero compreender o que é isso tudo sem a barreira das letras, das frases, dos significados. Eu quero sentir de fato, SENTIR, sem referências, parâmetros ou conceitos. Eu quero querer outras coisas e não a isso a que me sinto tendenciada. Eu não quero querer as pessoas. Eu não quero me aprisionar a elas e tentar a todo custo aprisioná-las a mim, como se nada do que lhes faz bem fosse tão importante quanto eu, como se fosse ao meu redor que flutuasse o universo todo. Quero ser capaz de apenas prolongar o que me faz bem, e até enquanto prolongar o que faz bem aos outros me fizer bem, também quero querer isto. Quero não esquecer que não há no que se apoiar. Não há esteios, eixos, pilastras. Não há nada além da vida. E que não há nada além de mim e os outros. E que todos estamos e sempre estaremos sós.  E que talvez nada haja que nos assemelhe além da liberdade que possuímos. Somos livres. E não sabemos o que buscar. Enfiaram-nos metas goela abaixo. Enfiaram-nos sentidos, objetivos, motivos. Me recuso a ser submissa de um senhor que nem existe. Me recuso a correr atrás do coelho. Eu quero... Eu não sei o que eu quero. Mas eu sinto. Há algo imenso que sinto. Há uma inundação em mim. E isso me impulsiona em todas as direções e ao mesmo tempo imobiliza.

Não sei. Por que todo esse espetáculo? O que eu faço aqui no meio? “Chegou a sua vez”. Diz alguém lhe tocando as costas. Aqui, todo segundo é “a sua vez.” E em todo segundo você sabe que o que menos sabe é o que fazer. Vexatório isso de viver... A maldade existe. Eu a vejo com todos os milhões de olhos espalhados na minha alma. Sinto que talvez quem outrora afirmou que somos todos maus estivesse certo. Tem muita maldade em tudo isso. Ás vezes parece que é ela que move tudo e é ela que faz as plantas crescerem e não o amor como alguém me disse uma vez olhando em meus olhos.  Mas talvez isto seja no que a própria maldade quer que eu acredite.

Talvez a maldade seja eu. Talvez sejam os meus medos ou os meus sonhos. Talvez existir seja uma maldade inevitável.

Temo monstros que não existem. E ignoro os anjos. Mesmo que não existam erros, parece que é tudo um grande equívoco.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sundown - The Jesus and Mary Chain

"Faça uma prece pra mim. 
Se lembre que eu respiro. 
Eu respiro. 
O sol está se pondo. O sol está se pondo... Em mim."

Jesus and Marychain - Sundown

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Parece que não posso mais...


 I can't make it anymore - Richie Havens
...
But something is not the same and i won't let may mind believe
Baby something's wrong, all the feeling's gone
I can't make it anymore, I can't make it anymore

Lately I don't feel much like talking
Instead of going home I just go out walking
And thinking too much and not longing for your touch
Baby something's changed, I don't feel the same
I can't make it anymore, I can't make it anymore
Don't know the reason why, but I just can't lie
When I feel this way, there are things that I must say
Can't make it anymore, I can't make it anymore
Oh anymore

Where did we go wrong? Where do i belong?
Let me found out when, did it all begin
Why I'm leaving you, why our love is through
I can't make it anymore, I can't make it anymore

***

Momento de I can't make it anymore... Música que sempre me amacia os ânimos. O curioso é que sempre cantei o penúltimo verso "Why I'm leaving you, why our love is through" como se terminasse com "why our love is true". Diferença fundamental no sentido da frase, que só agora pude notar.

domingo, 23 de dezembro de 2012

aprofundar-se no alto





































Há uma percussão.
Leve e ritmada.
Pulsar suave. Batida sem baque. Toque de leve. Balançar malemolente.
Suas ondas de som me envolvem num abraço amigo e gentilmente me levam para onde não estou.

Fecho os olhos, abro a alma.
Vou.
Além parece um  bom lugar pra se ir.


O agora é belo e vale reunir energia para ele. Tudo é importante. 
Brahma Kumaris








Novas margens


domingo, 16 de dezembro de 2012

sábado, 15 de dezembro de 2012

triz




Por um... Por pouco. Diante do abismo, uma espera pulsante. Hinos ecoam de estrelas distantes.
A mão que sai dum coração e arranca o olho da testa, faz desver e desvela. 
Um triz é um quase-nada. Um muito pouco. Um ponto infinitezimal, que de tão pequeno quase não é ou é infinitamente. Tenho sido por um triz... Assim como tudo ao meu redor o é.
E as fronteiras onde acabam/começam os trizes, ficam cada vez longe.
Se expandem os limites. Tensionam-se as barreiras.
Por pouco, explosão. Por mil trizes, expansão.

domingo, 25 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dentro...

Entranhado...de um jeito enraizado, mas, ainda assim, dissociável.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ás vezes penso





































E me pego refugiada lá.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

.

Eu também gosto de trepar, mas não é minha religião. Trepar tem muita coisa de ridículo e de trágico. As pessoas parecem não saber direito como lidar com a coisa. Por isso transformam o sexo num brinquedo. Um brinquedo que destrói gente.

Charles Bukowski

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

solitude





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sentada, vendo o azul se esvair, percebo  o dia indo.
Olho maior e vejo o ano indo.
Olho direito, e sou eu quem vai.
Parece que estou finalmente crescendo...
...E desaparecendo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Comédia Dell'arte



Rocha do Sucatão agoniou tanto o juízo de todo mundo, gritando em cima daquele trenzinho elétrico dele por todo canto da cidade, que conseguiu... Quero ver o que vai fazer além de gritar e buzinar.

Eu não sou avessa à política, até por que não vejo maturidade suficiente nas pessoas pra viverem numa sociedade sem alguém na frente ditando coisas a serem feitas. E acredito, ao contrário do que afirma um monte de gente por aí, que essa galera da política representa sim o povo. É exatamente assim que a gente é, a quem queremos enganar? A vida virou uma comédia. O que norteia o povo são as mesmas aspirações que norteiam essas pessoas que estão lá no posto de "representantes".  Somos egoístas, somos bitolados, queremos vencer na vida, queremos o bem do outro sim, lógico que sim, mas, claro, que ele esteja bem longe de mim e passe na minha casa pra pedir comida que já tá ótimo, (e que não seja na hora do almoço*).

Cada um do seu jeito, cada um com seus argumentos, cada um com toda a bagagem única que possui, com a visão única da vida que possui, cada um seus sentimentos ou com a falta deles. Enfim, ainda não nos livramos disso, nem vemos motivo pra pensar em outro jeito de viver que não reforce esse processo. Afinal pra quê né? Se ensinaram pra gente que "seríamos alguém", que "venceríamos na vida" se tivéssemos um bom emprego, um trabalho que nos desse dinheiro e que nos fizesse bonitos, sensuais, "bons de cama", inteligentes e cheios de gente que nos ama ao nosso redor.

E se nos ensinaram isso tão sutilmente que a gente nem sabe quando aconteceu, e se nos ensinaram tão bem que a gente nem vê nada de errado, e se a gente aprendeu isso tão bem que nem consegue ver que isso existe, e se é tudo isso tão desse jeito, e está tudo tão certo no seu lugar apesar dos pesares,  pra quer se preocupar?  Não sei.

Sei que se por acaso, você não quiser vencer na vida, só quiser viver, e se tiver consciência de que sempre foi alguém desde o momento em que começou a existir.... E se não tiver preguiça de fazer as coisas do jeito mais difícil só porque são elas que você realmente quer fazer. Provavelmente todo mundo vai querer te engolir, não por nada, não por maldade, (afinal somos todos muito bons né?) mas por que você é um brinquedo com defeito, não importa se a fábrica é de fachada ou se ela nem existe de fato... Brinquedos com defeito são relegados ao lixo. E é claro que depois de passar por todo o processo pelo qual passa o lixo, quando estiveres em algum lixão por aí, alguma criança poderá te achar, te lavar e levar pra casa dela, mas isso é só uma possibilidade.

Sei que bem poucos vão ler isso tudo. Sei que pra muitos estou caindo em lugar-comum falando essas coisas, e pra outros isso é só coisa de quem não tem o que fazer e eu ainda preciso viver muito pra entender um pouco mais sobre a vida. Sem problemas, só um desabafo mesmo. Uma parte de mim até concorda com essas opiniões. Mas é que conheço muita gente que escolheu ir pela via oposta disso, que não quer vencer na vida, que sabe que É e ponto. E eu me encaixo nesse grupo, mas grande coisa, eu também uso calça jeans, às vezes tomo coca-cola, assisto TV, voto, e penso muito mais em mim. Não sei exatamente o que dá pra fazer de concreto com esse posicionamento, a não ser usar a visão pra debochar do que acontece, às vezes eu não vejo outra opção que não seja rir disso tudo também. Mas se eu paro pra pensar não tem graça nenhuma... Mas e daí né?

... Fugi pra caramba do que queria falar, mas a ideia principal era que a gente olhe pros políticos e avalie se eles não passam de personagens caricatos nossos. Com as nossas características elevadas a níveis extremos. Uma grande comédia dell'arte de nós mesmo.  

 

Esse é o Rocha do Sucatão. Ainda prefiro ele em vez de muitos...
 *Imagem da internet.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cortisol ou Parabéns, você ganhou um hoje especial, totalmente grátis!

Eis que mais um hoje mortífero despenca de algum buraco negro e esmaga tudo o que há embaixo. Veio ele com a força de todos os orgasmos do mundo de uma só vez. Destruidor e fortalecedor.
Ele não tem olhos, nem boca, nem ouvidos, nem coração. Ele existe para matar. É calculista, frio e meticulosamente bom de mira. Um hoje especial, embrulhado para presente. Embrulhado para futuro. Um hoje cuidadosamente embrulhado...

Quantas vezes um ser humano é capaz de morrer em vida será? Talvez a mesma quantidade de segundos que possua sua existência.... Acho desperdício esse comércio todo ao redor da morte, mas quando morrer,  na minha lápide -se rolar uma- quero que esteja escrito algo assim: "Morreu de nunca aprender a viver. Mas já tinha morrido pra caramba enquanto tava viva, então tanto faz."

...E hoje era um cinco. Um cinco em outubro. Um cinco de outubro.
Cincos de outubros me dão calafrios.

Três pratos de trigo para um tigre deveras triste.




































E como é que se esconde do escuro mesmo? 
De repente é fechando o olho, de repente é abrindo... Deve ter um jeito.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

entranhas

Entre cãibras e espasmos, lapsos e colapsos, gritos e sussurros.
Entre aspas.
Entrelinhas.
Entretanto.
Entre tanto...
Estar entre.
Entrar.
Entranhar.

domingo, 26 de agosto de 2012

E havia eu, que muito parecia com elas.












Havia uma mulher e ela parecia triste.
Havia outra que deitava no chão, gritava com o ar, girava os cabelos, sorria desesperadamente, parecia louca.
E havia eu.

Em comum entre nós além do nosso egoísmo, todo o resto.











segunda-feira, 20 de agosto de 2012

acabou chorare

























fez zum zum e pronto.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Seu mal são essas nuvens nos olhos.
Tem problema de céu na vista.
Ainda vai morrer disso,
coitada.

sábado, 11 de agosto de 2012

incoerências de dias débeis



Minha rua tem cheiro de pão às 04:30,  às 15:30 e às 21. Aquele bolo de ontem, incrivelmente delicioso, acabou, acabou mas não deixa minhas papilas gustativas em paz. E agora tem um prédio que me impede de ver a lua da calçada. Grudei um chiclete no meu coração sem querer. Tive sensações pré-desmaio duas vezes nesta manhã. Meu bolso tá manchado. Preciso andar de bicicleta. Idéia fixa. Me sinto doente. Preciso precisar de alguma (outra) coisa.




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

sobre um "sei" oculto que paira.

 
Abro os olhos e SEI.

 
Acordo com a suave sensação (ou seria sentimento?) de que SEI, simplesmente. Sensação esparsa, diluída, tranquila...Não sei exatamente a que frase ele (o "SEI") pertence. Se vem casado com combinações de palavras como: "o que fazer", "o que está acontecendo", "o que é isso tudo", ou se precede um ponto de interrogação grande e transparente entre parênteses...

É um sei difuso, macio e expandido. É invisível, mas o sinto como se inscrito com letras garrafais, não só em mim, mas em toda parte ao meu redor, como um sutil campo de uma força neutra, nem positiva nem negativa.



Sinto lábios ocultos que me sorriem calmos e a mim sussurram: "SABES..."
Há resignação e paz borrifadas no ar.
Talvez alguma certeza tenha sido soprada a mim num sonho.
Talvez seja a certeza de que SOU, e que por SER, necessariamente, o eixo -mesmo que torto e frágil- desse SOU, SABE... SABE alguma coisa importante, algum mistério, alguma resposta...
Ou que SABE, simplesmente.

***

terça-feira, 31 de julho de 2012

Esse blog tá cada vez mais ridículo. Perdi meu senso estético em alguma curva em alta velocidade no meio do caminho. Ou me dou agora de cara com o fato de que nunca o tive... Enfim, preguiça de ajeitar, preguiça de se mexer, preguiça de viver. Tem uma preguiça gigante me imobilizando nesse instante, esse texto, por exemplo, escrevi por comandos telepáticos. É o máximo de esforço que sou capaz de fazer no momento... Tchau.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O universo é uma saia bordada com estrelas,
uma saia feita de um pano muito macio mas muito pesado.
A vida é uma saia bordada com milhares de minúsculos universos e costurada com fios longos feitos de mistérios rebuscados.  

Nascemos usando estas duas saias ao mesmo tempo.
Mesmo quem não quer isso. Mesmo quem não vê isso. Mesmo quem não sente isso.
É inevitável, todos nós as vestimos.  
Não sei bem, mas me parece ser preciso dançar se não quisermos sentir o verdadeiro peso delas.
E pode ser que a gente não tenha sido feito pra aguentar tais pesos. Talvez sejamos pequenos demais.
Pode ser que dançar seja mesmo nossa única opção. Mas também pode ser que eu esteja errada.




terça-feira, 17 de julho de 2012

Bege, dores, ônibus.

Dia bege. Ônibus lotado.
Do fone sai a voz rouca e nordestina de Belchior. Na tela fina pendurada atrás da cadeira do motorista, completamente mudas, muitas mulheres semi-nuas cantam, rebolam, são carregadas, tocadas e enfregam-se uma nas outras. No banco em minha frente uma criança me encara. Olho da janela pra rua e de repente alguém que fito por segundos vira e olha exatamente na direção de meus olhos, como se sentisse meu olhar a cutucar suas costas. Vejo uma moto sendo lavada numa calçada. Um laranjado muito forte em algum objeto qualquer me chama a atenção em outra parte da rua.

Em minha mente pensamentos muito rápidos passam sob a forma de palavras soltas: 
"Letargia", "loucura", "fumaça", "taquicardia", "parada", "escolha"...

Em alguma cama por aí alguém sente dores muito fortes. Dentro de uma casa perto dali alguém acha que vai morrer e que não suportará a corrosão interna sentida neste instante. Um pouco mais distante nascem algumas pessoas. Menos longe, alguém que deveria trabalhar não consegue parar de pensar em algo que muito lhe preocupa. Passo pela ladeira e no ritmo das rodas do ônibus "deslizo" por debaixo das sombras frondosas daquelas àrvores gigantes.
Em meu rosto, vento. Em meus olhos, sede. Em meu coração, flores e medo.

Ouço sons de vida brotando e tão fortemente de morte também. Há céu, asfalto, carros, gente, grades, cores, barulho, lágrimas. Há dores, sorrisos, estrelas, crimes, filmes, café, desenhos, chuvas, taxis, vinhos, mágicos, ventiladores quebrados, aviões, casamentos.

Há tantas coisas.
Onde a ordem? Nada tem a ver com nada.  Não tem nada a ver estarmos aqui. Nada tem a ver.
A vida tem me saído tão desconexa... Grande, bela e doida desconexão

domingo, 15 de julho de 2012

A porta abriu sozinha.
Um espírito? Uma tempestade? Um fenômeno?
Não.
A porta não estava bem fechada.  Simples.

Qualquer vento besta abre portas mal fechadas.

E aí, será que deixo aberta, fecho mal fechada de novo, ou tranco logo?

sábado, 7 de julho de 2012




















"Está chovendo ou é um sonho?''
"Os dois."


sexta-feira, 6 de julho de 2012



 



















"Solto as palavras no aquário.
Entre algas navego nas estrelas.
Sigo só no sonho e me desperto.
Num abraço no vento embaraço meus cabelos.
Abro os olhos para amanhã que se estende
no quintal da minha ausência.
Acerto o relógio para esquecer o tempo.

Estou aqui e o que fazer?
Os rostos de concreto, as roupas de aço,
Estou aberto à flor, ao crime, ao anonimato.
Respiro e sigo em frente entre os feridos." 


Ronaldo Rodrigues






quarta-feira, 4 de julho de 2012

quem sabe a vida é não sonhar...

imagem da internet

















E vem aquele anjo estranho sussurrar em meu ouvido que talvez as minhas verdades não interessem a ninguém.
Seco, me encara e pergunta com seus olhos:
O que queres provar?
O que é isso que procuras? Pra quê?

Seu silêncio me convence dizendo: Cala-te. "Abstém-te e suporta''. Olhe ao redor, mas olhe "sob a perspectiva da eternidade".


Sem opção, engulo o grito.
E a vida me morre mais um pouco.


domingo, 1 de julho de 2012

Dias de cores.
Plano de fundo borrado.
Sorrisos de sábado.
Abraços de domingo.
Pupilas dilatadas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Há uma gaita...
...rouca, insistente, oscilante.

De sons densos, fibrosos. De trama forte.

Suas notas vibrantes são fios de prata
que riscam o universo de um jeito quase infantil,
focadas em pontos específicos
mas com linhas desajeitadas e imprecisas..

São ruídos, 
riscos,
cujas luzes explodem as pupilas do mundo.

Não sei. Explodo.

E de repente nem é música
e de repente é só grito
ou só rasgo.

De repente é um galho brotando, de repente é o infinito.


*sentimento crocante/cortante/concentrado*
Gaita na garganta, gaita em meus olhos, gaita no meu peito.

.Rouquidão.




domingo, 10 de junho de 2012




























Mas por mais bela que seja,
Cada coisa tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Obra Poética I", Editorial Caminho, 1999

http://conversacoescomdmitri.blogspot.com.br/2012/06/diario-dos-mesmos-pesares-16.html



sexta-feira, 8 de junho de 2012

"primeiro estranha-se..."
























Viver é muito estranho.
Quando será que vou me acostumar?
Tá ficando meio assustador... 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Auto-retratos?




































Um cachorro
Um cachorro filhote
Um cachorro filhote sozinho
Um cachorro filhote sozinho que acabou de acordar
Um cachorro filhote sozinho que acabou de acordar com fome

Confusão gigante na cabeça do coitado.



eclipse oculto


Minha mais nova conclusão (precipitada?):
Viver é enganar-se. Ser enganado. 
Estão te fazendo de otário nesse momento.
Há sempre alguém tentando te passar pra trás... Todo dia, ao menos uma pessoa no mundo mente pra ti. 
Te omitem coisas. Distorcem, manipulam. Inventam...
A verdade é que não sabes a verdade, pois verdade não há e há muitas.
Engana a teu próximo como engana-te a ti mesmo, é o que se aprende quando se torna adulto.
O que há por trás de todos esses véus? Como seria se nenhum véu houvesse?
Até que ponto esse fingimento generalizado é algo natural ou apenas um meio de sobrevivência nessa selva de máscaras?

terça-feira, 29 de maio de 2012

Eu quero é ver o oco, cheirá-lo, senti-lo, abraçá-lo e explodir com ele.


De novo aquela vontade de engolir o mundo... Ânsia imobilizante de fazer tudo, que leva inevitavelmente a não se fazer nada. Vontade de "explodir colorido, no céu dos cinco sentidos. Nada no bolso ou nas mãos.” como bem descreve a frase da música caetanavelósica.
Muitas coisas me vêm em mente pra fazer, muitos assuntos batem à portinhola torta da minha cabeça a fim de serem destrinchados em tentativas quaisquer de textos. Muitos projetos, muitos achismos, muitas confusões. Uma angústia que não vem do vazio existencial, aquele que nos visita de quando em quando, mas sim de um troço que seria uma espécie de cheio existencial, é um muito, é um tudo, um tanto muito de tudo.
Universo se expandindo através de novos movimentos. Organização não há. O caos é a ordem. A desordem conduz. Novidades. Caminhos mil. Estanco. Descompreendo tudo. Compreendo nada. Refugio-me. Me abstenho de mim. Mas em alguma parte do ar acima desse mar que me navega turbulento, passeiam mansas aves que sabem ser este um daqueles momentos que antecedem a chegada ao cume da montanha de subida tortuosa. O máximo de alguma coisa que em instantes tornar-se-á seu extremo oposto inversamente proporcional. O que vem? O que vem? O que vem? O que vem? O que vem?  Pergunta doido o eco da minha consciência. O quê, meu deus, pode vir? O que está por vir? O que esse devir safado está a guardar de mim/ a mim?
O QUE SERÁ?

*

“A realidade é um fluxo ao qual é impossível se apegar. Não há nada seguro nesse mundo.”

segunda-feira, 21 de maio de 2012

De longe as pessoas são tão pequenas, aliás, é tudo tão pequeno quando se está distante.
Há, porém, um perto -um destino não muito fácil de se chegar- que escancara a grandeza de universo que todo mundo traz consigo.
Depois de alcançado, fica parecendo mesmo é que não há nada e nem ninguém que não traga em si o peso da complexidade de existir.

terça-feira, 15 de maio de 2012


Vou fingir que não sei de todas as coisas que finges não existir.
Vou fingir que sabes fingir.
Vou te fingir pra mim, só pra não perder o costume.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

dance.

Ouço essa música,
delicada, macia, de leite...
Sinto-a lenta,  flutuando, dispersa no ar.


Tão bonita...


Enquanto tocar, dança comigo?
Com os olhos fechados, pés leves e mãos firmes em minha cintura.


Mas só comigo,
que essa música assim, desse jeitinho,
sou só eu que ouço. 





terça-feira, 8 de maio de 2012





























Tem um fio de aço que perpassa o coração da gente...
Que liga as almas todas uma nas outras...
É uma coisa densa que dói, dói, dói,
dói TANTO,
que de repente ou vira paz e sossega ou vira chorume e apodrece pra sempre.

Então é isso (!?),  não importa o quanto a humanidade já te surpreendeu, quão boquiaberta já te deixou, as pessoas ao teu redor ainda vão te surpreender com algo feito da matéria mais inesperada, algo assombrosamente alheio a tua vida, algo novo de fato, feito do escuro mais escuro que o desconhecido mais longínquo pode te mostrar, algo -contraditoriamente- estupidamente óbvio em se tratando de seres humanos. Será? Não consigo imaginar até onde vai o fundo do fundo da feiura que uma alma pode ter...

A gente vive, vive, vive, vive que só, só pra entender que os clichês estão quase sempre certos, que aqueles lugares-comuns, dos mais comuns, não passam de verdades. Que aquelas frases todas que foram repetidas a exaustão por toda a sua árvore genealógica, por todos os sábios e ignorantes que a humanidade criou, por todos os porres nos bares, os professores na escola, os molequinhos nas ruas, os avôs em suas cadeiras de balanço, os motoristas de taxi, os melhores amigos, os livros, enfim que todas essas palavras proferidas em looping por essas bocas todas da vida, simplesmente têm razão. Nessa hora caem umas gotas grossas de desânimo na testa.

Ah não! Por favor! Por favor! Por favor! Improvável, impossível do universo, seja lá o que for, venha do infinito pousar na minha frente e me provar que a vida e as pessoas não são tão óbvias assim. Vem logo!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Não,



                                                            


           
































não me servem as metades.

Aqui (ou Memórias Do Cárcere)_Cordel Do Fogo Encantado
Vou 
Vou pregar na parede
Um pedaço de céu
Que você me mandou

Vou buscar outra constelação
Entre a noite que vai
E o dia que vem

Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo

Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro...
(morro)

Vou 
Vou riscar no meu braço
Um pedaço de mar
Que você me deixou

E criar outra recordação
Do primeiro lugar
Que acordei pra te ver

Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo

Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro... 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

sobre perfeição

Ou serei eu quem não estará lá?

                                                                                                                                                      http://rafaelsica.zip.net













Que fotos serão essas que olharei taciturna sentada na beirada da cama?
Do que sentirei saudade?
Quem não estará lá?
O que  falarão a mim os ventos de meus bolsos?
Que cor terá a linha puída que prenderá o último botão da minha bata florida e surrada?
Que ausências serão essas que me esmagarão a alma?
Que memórias preencherão de sépia o quarto ao meu redor?
Que tamanho terão meus cabelos brancos?
Quem estará a me encarar de dentro da xícara de café?






Eu quero o perto,

Daquele mais perto que tem,
que escancara as grandezas.
Sim, aquele que desmascara nossas pequenisses viciadas.
Quero aquele perto que de tão perto mostra tudo o que é. O que de tão perto não sente necessidade de ocultar.

Quero aquele perto que desfoca, que distorce os limites...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tudo é pelas pessoas. É tudo muito mais duro do que parece, é tudo muito mais fundo.
Tenho a impressão que as coisas todas só são por causa delas....
É tudo tão de verdade... Não parece haver nada que passe em branco à vida.
A gente tá aqui. A gente é.
(socorro!!?)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Detalhes

Pois é, os detalhes...
Percebi que se os amplio
é na tentativa de encobrir o tamanho esmagador de certas coisas demasiadamente grandes...


"Os fatos são sonoros mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro que me impressiona." Clarice Lispector

terça-feira, 10 de abril de 2012

Acho que podemos conviver duzentos anos com um ser humano que ainda assim sua alma continuará sendo um universo infinito, (quase) impenetrável, um buraco-negro, um abismo, toda a ordem e todo caos...
Só conhecemos das pessoas aquilo que por elas nos é permitido ter acesso.
O que sobra de suas almas além daquilo a que acessamos é desconhecido e adormece por detrás da acomodação e das muitas mentiras (consentidas ou não).
Esse resto todo dança inquieto nos vãos de cada caos interior.

quinta-feira, 22 de março de 2012




De sentimentos a árvores,
de estados de espírito ao pulsar das veias,
de pedras a pessoas...
a textura
das coisas todas
muito me interessa.

terça-feira, 20 de março de 2012

De repente o escuro é um tipo de luz...

Hoje pensei na sombra como um outro tipo de luz, não como a ausência dela, mas como outra forma de luminosidade, com partículas, matéria... Fiquei pensando no quanto a gente tenta evitar o contato com o escuro, com o que não é luz. Talvez pelo peso que o escuro carrega... Pensei nisso estando num lugar muito grande, vazio e escuro. Quer dizer, vazio não, ali estava cheio de alguma coisa densa, o escuro junto com o silêncio formaram uma matéria tão concreta quanto todos aqueles assentos sem ninguém e tão sufocante e misteriosa quanto uma floresta inóspita.
Enfim...  Sei que provavelmente tudo isso deve ser científicamente estúpido. Em alguma mente -ou mesmo em muitos livros- do mundo deve haver uma explicação clara e óbvia pra que isso seja besteira. Normal.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Não quero mais saber de nós.



As linhas todas, sejam longas, sejam "entre", sejam tortas, sejam ásperas... As quero.
Se tiverem que arrebentar, que arrebentem.
Se tiverem que se esticar, que se estiquem. 
Se tiverem que ser tênues, que sejam. 


Se for pra serem infinitas, que seus não-começos emendem com seus não-fins...
Que se enrolem, que se fortaleçam, que sustentem algo ou que levem pra algum lugar... 


Que não deixem de ser linhas,
e que não deixem de haver também os laços,

...mas que não haja nós.







segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

frio súbito de estamira na alma

Nossa senhora da liberdade,
onde quer que estejas dentro de mim, livrai-me dessa armadura.
Todas essas cascas que brotam como espasmos e se aglomeram me cobrindo e me imobilizando,
fazendo arder os olhos e me agoniando o juízo...
Derreta-as!

Não quero mais me proteger. Preciso me abster das defesas.

Quero
-nua diante da existência-
apenas ser.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Muiraquitã



















Usei o pedido daquela estrela que me devolveste...
E o resto já sabes. (:

sábado, 7 de janeiro de 2012

Eu gosto do estrago

"É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? (...) Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós."

Foi Kafka quem disse isso, e eu gosto muito dessas palavras, talvez pelo fato delas representarem a forma como tento lidar com a vida ou o aspecto da vida pelo qual, consciente ou inconscientemente, mais me atraio.

domingo, 25 de dezembro de 2011

"O Silêncio" de Mohsen Makhbalfaf.

"É preciso fechar os olhos pra enxergar. A visão nos distrai."



 ......




Outra raridade que conheci  neste ano. 
Com sons, texturas e detalhes encantadores. 
Esse é um filme simples e lindo.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Três filmes que tive o prazer de conhecer em 2011:


O Céu de Suely, de Karim Aïnouz;
O céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta e
José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes



"Quanto é a passagem pro lugar mais longe daqui?"



"O que um pé de manga espada sabe sobre o amor,
além das marcas deixadas por bêbados e vândalos?"



“Olha que coisa linda que acabei de dizer, Pilar: 
eu tenho ideias para romances e você tem ideias para a vida. 
O que é mais importante?”.
“Eu não sei, mas acho que são ideias para a vida”










FOME!

Ano estranho esse dois mil e onze...

Definitivamente, a palavra que o descreve é intensidade.
Não sei ao certo quantos anos se passaram dentro desse, sei que muitas pessoas esbarraram em mim por caminhos infinitos, assim como muitos caminhos esbarraram em mim por pessoas infinitas.
Não me lembro de em toda a minha vida ter permitido tamanha invasão em meu território... Não me lembro de ceder tantos lotes de mim assim...

Vivi momentos de sentir a eternidade nas mãos, de ouvir a música do universo e notar que o ritmo se assemelha ao do meu coração.
Teve riso, muito riso. Teve brilho em muitos olhos. Closes, zoons e tudo o que é o mais perto possível. Teve laço, teve abraço, teve plano, teve suor, teve cansaço, teve amor, amizade, teve ódio, teve muitas flores, muitas nuvens. Nuvens demais.

Fui ao céu e caí de lá várias vezes. Criei asas e troquei as penas numa velocidade até então desconhecida. Fui deus e fui também demônio.

Muitos acasos e muitas borboletas me levaram a lugares aonde eu queria exatamente estar e a outros nos quais nunca me imaginei, pelo contrário, sempre evitei, repudiei...
 Recebi marteladas as quais já fazem parte do que sou hoje e já me arrancaram um punhado bem grande de qualquer leveza que eu pudesse possuir até então. Agora em algum lugar aqui dentro há muito espaço pra ser aço, pedra e lama, onde antes sempre foi jardim.

Meu corpo virou -mais que nunca- um trombolho desgovernado. Me saturei de mim. Me expeli de mim. Minha mente virou um ruído de fora do ar.

Implorei pra que o mundo parasse, pra que eu pudesse descer, mas que nada, ele só acelerou.
Nunca agi tanto, nunca mudei tanto, nunca falei tanto, nunca dancei ou chorei tanto quanto nesse ano. Nunca havia vivido tantos ''tantos'' assim.
Muita coisa bonita. A beleza superou a maldade, de longe.

Nasci e morri mil vezes. Como sei que deve ser.

Fechei os olhos e quando os abri, notei que estavam mais abertos que antes.
Sobraram ainda muitas folhas secas, explosões e silêncio. Sobraram ainda muitas coisas que não deveriam sobrar.

Esse foi um ano de muitas voltas ao infinito. Um ano doido, frenético, neurastênico, caótico... Amei ele por isso.
Prefiro o movimento, mesmo que requeira sacrifícios montanhosos.

O que fica é uma grande tontura de quem fez e sentiu muito, tudo ao mesmo tempo.
O caos de sempre, mas elevado a alguma potencia desconhecida.
Fica uma náusea, uma febre, uma vertigem.

Termino esse conjunto de meses sendo muito menor do que sempre fui.
Com medo, encolhida num canto.
Mas com uma ânsia gigante de vida, de universo, de gente.




Dois mil e onze me presenteou com muita sede, e com muita fome de horizonte.
Infinitamente, obrigada.