sexta-feira, 31 de julho de 2015

in comum



Eu entendo os inábeis. Entendo os inertes. Ás vezes a gravidade da Terra pesa demais... E ela se soma aos campos gravitacionais que cada ser possui. Muitas energias. Confluências. Pulsões.
Sofro de um certo mal de ter necessidade de acreditar que sofro de algum mal. Às vezes parece que todos sofrem disso. Mas todos é uma palavra muito pequena para que nela caibam as sete bilhões de humanos desse planeta flutuante.
Flutuante é a minha natureza. Mudança... Há uma ânsia imensa por mudar. O mundo é tão complexo, e eu aqui me apoiando em esteios com os quais pretendo a desconstrução, a transgressão, a subversão... Muitas coisas. Que diabos elas realmente são? Corações, desejos, missões. Cria-se tanta expectativa. Gera-se tanta frustração. Até onde se pode afinal? O que significa realizar?

Outro dia, em meio ao paraíso me veio o lampejo: "será que a dureza do deserto torna o oásis irreal?" Será? Até onde me levará essa busca obcecada por oásis diante da seca verdade do deserto? Que tanta vontade de engolir as exceções e delas se alimentar... Que tanta distração... No que isso me torna(rá?) Mas para se distrair há de ter um algo mais importante que mereça a atração maior, quem pode decidir que algos são esses? Se eu puder escolher o que merece atenção, se eu puder determinar isso, serão mesmo distrações todos esses meus passos? Ou apenas foco, no que me interessa de fato?




quarta-feira, 24 de junho de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

Lambada de serpente


"Danse Serpentine", coreografia da dançarina moderna francesa Loïe Fuller, eternizada em um pequeno filme colorido à mão, realizado pelos irmãos Lumière.


*Versão com trilha sonora de Sigur Rós, Se Lest.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

onde as coisas selvagens existem


''...Eu sou um Rei que não tem fim

E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração
Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarra, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor
Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais nem vou
Meninos, ondas, becos, mãe
E só porque não estais
És para mim que nada mais
Na boca das manhãs
Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
e nunca chego a ti"



segunda-feira, 1 de junho de 2015

BLOCO NA RUA - Sérgio Sampaio

''Há quem diga...''
 
-

terça-feira, 5 de maio de 2015

delicadeza





 
 






Já havia estado com um filhote de passarinho em suas mãos, já o havia alimentado e passado os dedos por sua pele fina sentindo seus ossinhos que de tão fracos deram a ela medo e consciência de seu peso e dimensão. Quão ínfima era aquela matéria, ainda que imbuída de vida, apenas um conjunto pouco denso de carne que facilmente morreria num simples fechar frio e demorado de mão. Em outro momento usando os dedos dos pés para acarinhar seu cachorrinho -uma raça pequena, leve e carente- esbarrou na mesma fragilidade, havia tanta delicadeza naquele pequeno corpo, tanta que um pisão forte ou um peso a mais nos seus pés pressionando aquelas costelas seriam capaz de ceifar também aquela vida.

Sentiu pena daquele ser e da sua ingenuidade. Lembrou do passarinho e também teve pena dele. Eis que alguns sopros de pensamento começaram a lhe rondar perguntando: “Que animais será que ao nos ter em mãos sentem também pena da nossa fragilidade humana? Que animal “gigante” me pode ter a tutela e me tocar cuidadosamente as vértebras, com medo, com horror, ou pena, por tamanha delicadeza? Que bichos são esses que não nos matam por não querer mas qualquer uso de seu potencial total de força extinguiria o que nos mantêm vivos?” Se imaginou sendo cuidada por um elefante, uma baleia, uma árvore antiga.. Teve pena de si mesma.
 

domingo, 12 de abril de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Eu. Aqui. Agora.

Tem uma agonia, uma inquietação, um peso que me acomete de vez em quando - principalmente nos dias em que menstruo.- Não sei se acontece com todas as pessoas, mas é muito estranho existir nesses dias... Ou, nesses dias entendo mais bruscamente quão estranho é existir... Cada ser. Cada cor. Cada corpo. Cada voo. Cada andar... Delicadas perturbações que me esmagam a alma. Me esmagam e ao mesmo tempo me fazem chegar em terrenos esquecidos/adormecidos dentro de mim.

Eu existo, tudo existe. Há vida. Há morte. Não é tudo sobre mim, mas tudo existe por que eu existo, afinal cada um é criador de seu próprio "tudo". Quando chegam esses agoras, me sinto menor/maior. Explodo, gozo, choro. Êxtase... Uma espécie de espasmo - só que duradouro- de lucidez.... Me sinto conectada. Me sinto bem, me sinto mal. Me sinto. Universo, uníssono, um, uma. Eu. Aqui. Agora. Pequena mente, pequeno coração, pulsação... De cá chora meu espírito um cântico de amor e dor, uma prece por todas as vidas que escorrem esquartejadas pelas ruas, pelas matas, pelas pontes, pelos mundos. Toda essa gente que vive tanto, que morre aos prantos, que não entende, que esbraveja, que quer amor, que odeia, que fere, vive, dói e arde.

Eu, gente, hoje: existo. Ontem: existi. Amanhã: não sei. Ontem morri, hoje morro, amanhã também. Abençoados sejamos todos nós, que existimos e desconhecemos o universo. Que somos/estamos e disso mesmo padecemos. Abençoados sejamos, seja lá pelo que for.

terça-feira, 7 de abril de 2015

quarta-feira, 4 de março de 2015

Devaneios madrugados


Tenho lembrado de meus sonhos noturnos. 
Talvez a calma, talvez a alma...
Algo sossegou, algo é agora sereno. Amanheceu será?
Creio que não... Madrugou, apenas.
Essa tranquilidade é de sono e preguiça de acordar (?).
Tranquilidade de fuga, de não querer ver (?).
Que seja, ao menos, que seguir nessa estrada pedregosa não é assim fácil.
Passar voando alto às vezes calha.

Até que chegam outros dias, outras tardes, outras noites, outros outros...
Chegam novas madrugadas, novos madrugares, novas coisas velhas, mente que não cessa, questionamentos intermináveis, dores nas costas, inércia, espasmos, cãibras.
Coração erradio, buracos negros, meia-noites e quintessências, seres e sentires em expansão.
Quasares "pulsando lôa"s. Eu, pequena-grande, infinitesimalmente infinita.

Flashbacks de momentos vindouros pingando a todo momento na bica da alma.
Flashbacks de futuros vividos fazendo lodo nos becos do coração.
E o que de fato já passou, insiste em passar pra sempre, insiste no infinitivo, insiste em me visitar. Insiste, insiste...

Amanheço aqui dentro e acordo da falsa sensação de sossego.
Nada passou, tudo está aqui. Tudo vem e vai.
"Tudo" é uma coisa que pesa e cansa.
"Tudo passa." Sim, tudo passa, passa mas não vai embora, passa por mim a toda hora.
Passa e me arranca o que é sereno, passa e me tortura os olhos de dentro.

Sim, "tudo passa", passa mesmo, até demais, não para de passar e quando passa, me leva junto.

terça-feira, 3 de março de 2015

Sonhos intranquilos...


Carla Antunes - sonhos intraquilos



...um dia desperto.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

sábado, 7 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

não lucidez ou as vozes na minha cabeça




Não tenho vontade de escrever nesse momento, mas me parece importante marcar e destacar este período em que de forma cada vez menos sutil e cada vez mais difícil de lidar, me percebo entrando em um estado de insanidade. Não vou escrever em terceira pessoa e tentar disfarçar que trata-se de mim aqui. A loucura que sempre me habitou, a loucura que sempre fui, tem soltado das rédeas da minha mente. E aí, vejo que talvez não tenham sido sem fundamento as vezes que brinquei dizendo que meu futuro seria me tornar "doida de rua". Meu cérebro possui um método estranho de operar, um não método, um jeito auto-sabotador bombardeante de administrar a matéria que envolve meu espírito. Não tinha pensado nessa divisão, e de repente ela mesma me parece a resposta pra tanto descompasso... Eu, espírito, sou resolvida, entendo o que sou e apenas sou. Eu, consciência filtrada pelo cérebro, me sinto um discurso escrito em certa língua materna sendo dito por um estrangeiro que não a conhece, não a compreende. Aqui dentro minhas milhares de vozes não param de falar.. Quanto tudo! Quanto tanto! Quanto muito!...Ao mesmo tempo, toda hora. Meus objetivos se perdem em meio a caminhos atraentes de informações e conteúdos dispersantes, histórias, perguntas, texturas, olhares, gente. 


Não lembro de alguém ter me explicado quando era criança o significado de "sonho". (Nunca tinha parado pra pensar nisso também...) Estranho como essa palavra me comove. Ela é mais que um conjunto arbitrário de símbolos de fonemas pra mim... Talvez ninguém nunca tenha parado para me explicar o significado dessa palavra. Mesmo que o fizessem, eu provavelmente teria dispensado com o tempo tal explicação e teria permanecido com a minha que sempre esteve em mim como um pensamento-unidade, um pensamento que existe, além da linguagem e não precisa ser pensado para ser sentido. Eu guardo sonhos em mim, que de tão fundos, não os alcanço. Meus sonhos são como seres sem boca, olhos, ouvidos, nariz, mãos.... Seres sem a possibilidade dos sentidos, impedidos da comunicabilidade por suas condições (de estarem ou de serem?). Sinto enormemente esses seres aos montes povoando essa mistura de carne e espírito que sou agora, eles SÃO, eles SABEM, eu me debato na tentativa de alcançá-los, tocá-los. Os persigo como quem tem certeza de que existem e mais que isso, como quem existe devido a ELEs. (Letras maiúsculas na tentativa ridícula de adequar a escrita ao que não pode ser explicado, ou dito.)

Não sei o que de sonho carrega a loucura, mas de dentro da minha ignorância abissal sempre senti como se fosse uma escolha e não uma "imposição" (a "insanidade"). Me parecia sempre uma fuga consciente, de seres que de tão inteligentes e grandes não cabiam nas regras e jogos sociais, não cabiam no tempo inventado, nessa ordem toda que está imposta. Me parecia liberdade, jamais aprisionamento. Já não sei... Se enlouquecer for isso mesmo que eu pensava não é de assombros de loucura que tenho padecido, mas não sei, parece ser alguma espécie de doença do existir/ser/sentir... Viver me emociona muito, é tudo muito grande e minúsculo. Cada detalhe funcionalmente aí, simples e assustadoramente... Existindo! Tudo isso que existe me pesa tanto que invade as organizações internas pelas quais tento, por questões de sobrevivência, me guiar. É uma bagunça, uma desconstrução constante, um permanente "estamos em obras".

Minha matéria além de sonho e loucura, tem absorvido muito de medo e dor. A dor de ser humano, de ser pequeno de ver o sentimento das pessoas e também o ter. De ser dor, por que esses olhos e corações todos aflitos o são como os meus, como eu. Eu sou o mundo e as pessoas e tudo isso é em mim tal qual sou neles. Meus mundos, cheio de deslubramentos e desmoronamentos...
Queria entender melhor o significado da palavra sonho na linguagem humana, talvez entendesse melhor essas existências misteriosas que me habitam ou entenderia de uma vez que nada têm elas com sonho.

O fato é que tudo parece esplendoroso de longe, mas as redomas são imaginárias e a vida diária é real e duramente sábia. Pequenos acontecimentos podem se tornar filmes assombrados nos quais se aprisiona, de cujos loopings não se é capaz de libertar. O passado, o presente, as misturas, as mudanças de rota, os desvios que gerarão outros futuros que não deveriam ser meus. Os pequenos acontecimentos costuram calma e impiedosamente as dores uma a uma, com pontos firmes... A linha é grossa e áspera, mas a agulha é fina e aguda. Aperto os olhos. Ruídos de fora do ar... Tudo isso é cheio de medo, mas a origem, o lugar onde nasce o medo, não sei. 

A junção das infinitas substâncias derivadas do medo, do sonho, da loucura e dos pequenos acontecimentos (em especial aqueles que doem), essa combinação é corrosiva, mas é uma corrosão que ao invés de destruir e matar, cria, constrói. Como se o escuro em vez de ser ausência, fosse presença, partícula assim como a luz, só que com outras propriedades, próprias do escuro. A corrosão vai criando outro ser no ser mesmo que existe, não é uma crisálida, mas não deixa de ser um envólucro, uma casca, que se torna o próprio ser. E assim vão se tornando isso a que me tornei, uma quimera, um diabo, mesquinho e esquisito com seus trejeitos de humano, com amor nos olhos e rancor no coração.

O poder das pequenisses diárias doloridas.... Tão grande...Não pelas próprias coisas em si, mas por ser de gente a composição do seu derredor. E gente DÓI, gente ARDE, gente É. Tudo fica maior quando se tem pessoas no meio, e nada há nesse mundo que não as tenha e é só por isso que é assim tão comovente e bonito esse "tudo" a que me refiro tanto.

O problema é a prisão, o problema é o looping, quando não se consegue mais fazer "a expedição dentro da cela", quando as vozes todas falam as mesmo tempo, a te zombar, humilhar, ferir... Quando essas mesmas vozes te amam, quando você percebe que todas as vozes o tempo todo são tu mesmo. Quando teu coração corroído sente medo de continuar existindo, quando uma "euforia sufocada" lhe pinça do tempo-espaço e te transporta para uma dimensão outra, alheia aos antes, alheia aos hojes, alheia aos depois... Alheia ao bom senso, ao que se espera, ao que se deve fazer. Dimensão confusa e perturbadora que te leva sempre ao ponto do qual partistes. Uma infinda tentativa, uma infinda culpa, uma infinda agonia. Nada finda, e tudo recomeça, o tempo todo. Em meio aos prazeres e belezas inerentes ao viver, impulsos de morte, impulsos de não querer. Amor... Música... Minhas linhas... Minhas missões... Meus três pares de sapato pretos... Humanos... Minhas mãos... Meus quereres... Meus espasmos. 

Me explicaram muito e de diversas formas o que significa "amor"... Entendi tudo errado, mas também não eram certas aquelas explicações... O rio, a canção do vento, o cuidado... Minha imperfeição, minhas energias deletérias, minhas cãimbras, minhas vozes, meu quarto, minha aleatoriedade, minha dispersão, minha insistência, minha teimosia, minha podridão, minhas larvas, minhas patas, meus "vincos amargos nos cantos da boca", minhas lembranças. Leio livros de acordo com meu estado, leio ao mesmo tempo, não os termino nunca, há anos. Meus desenhos...

Não faz assim tanto tempo que eu vivo através desse corpo, mas me pesa muito tudo. A incoerência que eu sou me mata mas me mantêm viva. As vozes... Me xingam, me odeiam, me machucam. E elas são eu. Eu nem devo existir. O que sei é que não tenho tido vontade de dormir e essa ideia de que estou enlouquecendo não tem me abandonado. "Vou morrer esse ano", pensei um dia desses, não sei se foi um presságio, um desejo... Não sei... Sei das reticências... Dos lugares vazios... Dos abismos... Desse país transtornado, feio e corroído que eu sou.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Canción del Vento - Perota Chingó

"Teu mistério é muito
Mais interessante do que
Minha imaginação
Quando caíres em minhas águas
Vou mergulhar em ti
Olhando o reflexo
Vou mergulhar em ti
(....)
Densificaria o ar
Densificaria o tempo"

Não consigo parar de ouvir a "Canção do vento".

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Eu:quem?

Amiga imaginária do meu amigo imaginário. Entre caimbras e espasmos, a eterna sensação de primavera minguante.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Com licença

Foto: Silvia Marques

domingo, 11 de janeiro de 2015

Pra me situar no tempo e espaço, pra firmar no chão, pra além dos devaneios...























...um autorretrato.

*Sim, eu existo além da minha mente perturbada.
**E o meu semblante nunca mais condisse(?) com meu cerne.

sábado, 10 de janeiro de 2015

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sonhei existindo dentro de um quadro de Dalí.






Hoje sonhei com Dalí
Meu coração, uma maçã com um diabo dentro
Tudo/nada naquilo que me en-torp/louqu-ece
Tenho sede
Preciso sonhar existindo em uma música do Raul
ou dentro da sanfona de Dominguinhos

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Entre casais



Há uma energia que desde que nascemos nos impulsiona  à conexão com as pessoas. Existir, nos 
contextos humanos, é, em muitos casos, uma violência. Comumente, somos levados por essa 
violência a nos tolir do desejo que nos acompanha de buscar conexão, por sentirmos a dureza 
da ausência e da negação desse atrelamento. Encontramos, muitas vezes, subterfúgios para 
furgirmos, mas o fazemos justamente por ser tão forte- consciente ou inconscientemente- a 
necessidade dessas ancoragens de existências. Independente das conjunturas, o amor é sempre ponte, 
ligação. E é sobre isso que o filme Entre Casais, de Will Alvez, fala, mesmo sem fala alguma.

A noite
















"Tudo permanece no mesmo lugar, exceto nós mesmos... Exceto nós mesmos." Ao som desta frase se inicia o "A noite",  (de Rodrigo Amboni), uma produção que incomoda as pupilas,  a mente, a alma...

Personagens misteriosos nos levam com seus devaneios por caminhos labirínticos, sempre a encontrar com pessoas sem história mas com muito a dizer. Vozes e silêncios que ecoam e refletem no vaivém da cadeira de balanço, no focar e desfocar da lente que filma e da consciência de quem assiste.

Vida e morte.
Presenças, ausências. Sonhos, vigílias... 

A confusão, a deriva, o mergulho, a solidão. Estranheza bonita. Poesia. Em muitos momentos, mesmo sem o enegrecer, se faz noite, a noite que há em todos nós: Escura (mesmo que clara), densa e misteriosamente inexplicável.

Site do filme
Trailer
Página no facebook

domingo, 16 de novembro de 2014

...Pelo mundo, pelas pessoas, pelo peso do existir.



Quem vê um caminhão ao longe, não compreende sua densidade. O coração acredita na leveza que os olhos enxergam. Tocá-lo pode ser suficiente para assimilar tamanha materialidade. Mas ser atropelado é saber que ele existe. Ser atropelado é existir e entender de súbito o que É um caminhão.

Parece que o mesmo acontece com relação às pessoas. Com o tempo a gente esquece a densidade do buraco negro que compõe o eixo das almas, inclusive das nossas. Esquece que ele se expande, que engole o que tem ao redor, tem incontáveis dimensões dentro de si e que é infinito e misterioso em seu interior. E de longe, todos somos leves, lindos e temos boa intenção. De perto, todos nós doemos, pesamos, ardemos. Chegar perto e tocar, pode ser também suficiente para se enxergar de fato (com a alma) uma pessoa... Mas, nada como sermos atropelados...



*E os cães latindo descontrolados, permaneceram a me seguir, mesmo tendo eu buscado outra rua.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Chegando de mansinho- Dominguinhos



Sempre chegando... Sempre cabreira... Sempre de mansinho...
Uma eterna criança nesse lance doido que é existir.
Sempre com "uma sacola murcha 
Sem nada dentro pra mostrar
Mas com "um coração imenso
Cheio de esperança e amor pra dar"


terça-feira, 23 de setembro de 2014

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre cair e permanecer em queda.



Passado, presente, futuro...Memória que enlouquece, pensamento em círculos, em ciclos, existência que adoece...

Aquelas flores cheirosas que ganhei e que parecem não ter forças para sobreviver nesse vaso erradio de terra preta em que as coloquei.
Aquelas pinceladas pretas, fortes, finas, sinuosas. Tinta que manchou.

O êxtase do desbravamento do desconhecido. Prelúdio Continuação da queda, consequência do tempo dedicado a olhar o abismo.

Aquele recuo que tanto tempo atrás comecei a dar, para pegar impulso e pular mais alto, voando por sobre o precipício... Aquele retrocedo... Me imobilizou os braços e me confundiu a alma e as pernas... Em cada arroubo de assombros, me puxou mais para trás, como se fosse para trás que eu devesse ir. De costas, percorrendo o caminho contrário, por entre curvas tortuosas, reencontrei o vão em meio às gigantes pedras, e como se houvesse ali um chão, pisei.

Pisei, no nada, no vácuo, no escuro do mundo e a trajetória mudou a direção para baixo, e como quem nunca teve asas, cai.






E depois é o temor, o tremor, e uma dor que dói grave e me esmaga partindo do útero e se espalha em mim. Eis que de tanto a alma sangrar, o corpo sangrou pela segunda vez.

Sinto meu tato se distanciar, olho para minhas mãos como um morto se olha ao morrer. Sinto minha alma enfraquecer. Mas sei que vivo pois o peso do mundo ainda me devasta. Saindo de mim para o universo e vindo do universo para dentro de mim.

Noto de novo que, "viver dói e ai dos dias que me lembram disso". Ai desses dias pois que se tornam noites e pois que neles não há tempo, nem porvir, nem continuação.


A cãibra vem do peito e afeta todos os órgãos. 
                                                                                                                                 Paraliso o o       o   o.



A vida só sinto nos espasmos, segundo a segundo, a me perturbarem os músculos confusos.

Me desprendo lentamente do chão e me diluo, por entre inércias e impulsos. Me espremo, me aperto, e reluto em diminuir, mas me apequeno mais e mais, como quem tem o coração envolto por uma corda áspera, amarrado intensamente com várias voltas ferinas e hostis.

Uma corda de apequenar... Uma corda de ser mal. Uma corda de ser gente...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Olhando agora para um despretensioso pássaro que desenhei, descansando despretensiosamente - preso no universo de uma folha branca- sobre a mesa em que costumo desenhar, lembrei que ontem, ao olhar para o mesmo pássaro, me direcionaram a pergunta/afirmação: "Agora tu é ornitóloga é?" Eu ri e respondi: "Sempre fui. Já não te disse isso?" Dei a resposta re(vi)vendo uma série de flashbacks na cabeça. Revendo hoje as mesmas lembranças, que se tratam de como me "iniciei na vida de observadora de pássaros", me senti com a necessidade de registrá-las, por isso, aqui estamos...Minha vida de "ornitóloga" teve início "mais sério" (rsrsrs) em um dia de natal daqueles em que natais ainda tinham algum estranho encanto e eu ainda achava que era tudo uma grande desculpa para ganhar aquele brinquedo que passara o ano todo querendo.

A noite era de 1999 (ou seria 1998?), minha avó materna ainda estava viva, e, se não me engano, era o último natal que passaríamos no mesmo plano. Pois bem, lá estava eu, em sua casa, sentada em sua cadeira de balanço feita de vime, abrindo a caixa de meu presente, fingindo não saber do que se tratava, ignorando o fato de que dias antes do natal ficara sabendo do presente que meu primo - de mesma idade que eu- ganharia, que seria uma  câmera filmadora de brinquedo, e que já havia batido o pé e enchido todos os sacos cabíveis para ter uma igual, afinal eu merecia algo tão fantástico...(rsrsrs) Me empolguei tanto com o recebimento do negócio que abri a caixa de um jeito que o brinquedo, que era pesado e de material quebrável, despencou direto no chão! (Isso agora me lembrou uma expressão que li em algo de Drummond, que nunca mais me largou depois que vi e agora noto que na verdade sempre me acompanhou só que eu não sabia. A expressão é : "euforia sufocada".) Foram aqueles segundos em câmera lenta em que o mundo inteiro pára para arregalar os olhos e transformar tua patetisse em uma aberração incomensurável. Não lembro se chorei, acho que não, mas sei que me desapontei comigo mesma e guardei o episódio como mais um para reforçar outros tantos que já havia ocorrido e outros milhares que estavam por vir, os quais só comprovam meu talento para o descompasso diante do mundo.

Sobre o presente, esse era um brinquedo magnífico, vou até procurar na internet e ver se encontro a imagem. Mas lembro que as principais cores eram branco, vermelho e azul, e talvez tivesse lugar para pôr alguma fita, mas na verdade, nunca tive certeza se ela filmava de verdade ou não, afinal, quebrei no dia que ganhei.  (Agora lembrei que também tive um brinquedo gravador que vinha com microfone, tive poucos brinquedos, mas eles eram bem legais pelo visto).

Após a queda, a parte da lente se desprendeu do corpo da "câmera", ela era um objeto cilíndrico, quase como um rolo de papel higiênico sem o papel, só que um pouco mais larga e mais comprida, parecendo um objeto de observação, não uma luneta, nem uma metade de binóculo, pois a lente na ponta pouco aproximava os assuntos observados, mas era convexa e olhar através dela causava algumas distorções nas imagens e em mim causava a sensação de estar observando melhor as coisas, uma vez que a lateral circular servia de moldura para a visão, e me dava a sensação de foco, pois os olhos só conseguiam ver o que se mostrava dentro da tela redonda que parecia surgir do outro lado.

Sempre fui muito observadora, detectei muito cedo em mim um enorme prazer em perceber os detalhes e sempre viajei demais nas infinitas possibilidades de texturas, cores, movimentos, linhas e elementos desse tipo que estão contidos em tudo que existe. E viajava tanto que ficava para trás nos passeios, tropeçava, me perdia, deixava coisas caírem, etc. O curioso é que justamente por estar sempre muito atenta a algum detalhe específico (que quase nunca era o trajeto que fazia ou  a localização de quem estava comigo nos lugares) recebi as alcunhas de "desatenta", "lesa", "lerdinha", ''devagar", durante toda a minha vida (até hoje).  



O fato é que a aquisição compulsória daquele "objeto cientifico de observação" otimizou minhas "pesquisas empíricas" da época, e todas as tardes, (após os filmes das sessões da tarde, claro) eu ia para a área da frente de casa e subia no que tivesse de alto por lá, e passava horas de pescoço levantado, com um olho fechado e o outro olhando através da lente o movimento que cada ser voador fazia naquele céu que ia do pátio da nossa casa ao infinito do universo. Cada voo, cada abrir de asas, cada pouso no coqueiro, cada briga, (cada cagada rsrsrs), cada passarinho e cada passarão, todos. Comecei a me considerar uma "observadora de pássaros" e nunca mais parei, simplesmente. Meu precioso objeto de trabalho se perdeu com as mudanças de casa, mas minhas ultimas lembranças dele era que o vidro da sua lente já estava bem debilitado  entre sujeiras e arranhões advindas de tantos trabalhos de campo... Observava os detalhes de tudo e normalmente fazia os relatórios na hora, e em voz alta, quando ninguém se aproximava, claro. O mundo doido do portão para fora, a rua, as pessoas, o fluxo da cidade seguindo e eu lá encasquetada com tudo aquilo, quão impressionante me pareciam aqueles pequenos seres que podiam voar! Não sei se me impressionava mais com os pássaros ou com a forma como as pessoas os consideravam como mais qualquer coisa normal da paisagem. Me encantava como eram tão serelepes, tão curiosos, tão leves. "Eles voam!  Cantam! Possuem vida, expressões... Será que pensam? Brabos eu sei que eles ficam, então será que ficam felizes?" Pensava eu... E todas aquelas penas e cores? Quanta delicadeza e beleza! E assim, passava as tardes me enchendo os olhos e me enchendo a cabeça de pensamentos engraçados que só criança consegue ter. Tudo isso graças à câmera que eu quebrei...

Procurei na internet e não encontrei uma imagem desse brinquedo que tive, muito estranho... Ainda mais para mim que quase não confio em meu cérebro e preciso vez ou outra (quase sempre) de provas concretas para voltar a acreditar que certas coisas de fato passaram pela minha vida. Mas como minha experiência como observadora de pássaros nunca passou, não fica difícil ter certeza dessas vivências todas que me vêm a mente com muito afeto e a leveza da infância bacana que tive. Hoje sei que "observar pássaros" é realmente uma profissão e possui um nome complicado: "ornitologia"... Eu seria uma ornitóloga com muito prazer, com certeza. Mas como nunca levei a sério as análises das minhas pesquisas de quintal, continuo sendo uma singela "observadora de pássaros" mesmo que adora perceber o detalhe que eles são diante de tudo. Detalhes lindos e impressionantes, que ainda me causam espanto e muita admiração.



sábado, 24 de maio de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Seres imóveis povoam minhas margens. Onde a vida?
Sinto apenas o sobrevôo de pássaros invisíveis.
Só voz e canto...
E é pesado esse vento que sustenta minha mão e esmaga meu rosto.
Muitos hequitares inóquos, movimentos internos desconhecidos.

Onde a ânsia pelo porvir?
Árvores altas dançam ao redor e enganam minha vista.
Há uma Samaúma em todo ser que existe.
Existem muitas coisas nesse mundo... Eu não dou conta.

quarta-feira, 12 de março de 2014

E é tudo medo

Na madrugada, pássaros da noite entoam cantos tristes e choram suas duras penas.
Bati a coxa na quina da mesa. Dor aguda. Dor roxa.

Tortuosas torturas...
Meu manto rasgado enleva o cardume e o cheiro de vida que flui da água.
Houve um tempo em que as pessoas me amavam....
Eu era maior que meu corpo, muito maior.
Era flutuante, leve, composta de uma suposta lucidez translucidamente clara...
Já não sou.

Quando a leveza se vai, o que fica dói e fere.
Quando não se é mais leve, se é pesado e se causa pesares.
Se é preenchido com pedras e se vira uma arma de se proteger. 
E é tudo medo, eu sei.







terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Á minha espera, para que salve à mim mesma.









Deitar nos trilhos, impulsionar-se em direção ao caminhão, saltar dum lugar longe do chão, cair num lugar sem fundo, voar para a hélice de um avião, mergulhar e não voltar, afundar...
Fazer tudo isso e esperar...
Esperar ser salva....
De si mesma. Do peso todo que há. Dos buracos. Das imagens embaçadas.
Dos sentimentos desfocados.

Ser salva dessa sensação de precisar ser salva.

sábado, 14 de setembro de 2013

problema de coração


até que um dia cai*





*A frase na ilustração é da música "Anjos Caídos" da banda Cordel do Fogo Encantado

terça-feira, 16 de julho de 2013

Santa tempestade



Nossa senhora da tempestade...
Me molhe.


Nossa senhora da mágoa...
Me deixe.


Nossa senhora do vôo...
Me leve.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Morreres

Outro dia tive a sensação de conhecer a morte. A senti como um sopro forte e esmagador. Um sopro de dentro pra dentro, que ofega a respiração e suga todo o espírito para si mesmo numa súbita contração da vida. Me senti como um abismo caindo dentro dele mesmo. Como o ato de engolir o mundo  que bruscamente volta-se para o próprio eixo da garganta e desdobra o ser ao avesso, fazendo com que ele mesmo se engula.  Foi como perder a consciência em um liquidificador e o sentir sendo ligado de quando em quando, por frações de segundos e nestes instantes assistir ao esfacelamento do que já há muito não era inteiro.

Esse sopro me ronda, e faz parte de mim. Ele me faz buscar a dor, o sofrimento, a porrada, o choro. Me faz sentir a necessidade de me aniquilar, mesmo que sutilmente, buscando na vida tudo aquilo que me morte. Há outros sopros que me compõem e que me puxam a outros desejos me salvando de mim mesma. Às vezes eles são fortes o bastante, às vezes não. Eu fico no meio, me debatendo, borbulhando de um extremo a outro como o mercúrio cambaleia dentro de um termômetro.

Parece que quando viver passa a pesar, áspera e sufocantemente, voltar atrás acaba se tornando impossível. E parece também que só o que se pode fazer é sentir o peso cada vez mais pesado do mundo ou amenizá-lo com os subterfúgios mais práticos e eficientes, convencendo a si mesmo de que a vida pode ser menos densa do que ela realmente é.




segunda-feira, 8 de abril de 2013

e o tempo levou...































Tempo é esse sopro que nos leva e nos muda, e nos planta, e nos germina, sem que a gente perceba.

E só o mundo nota tudo o que ja fomos, e só ele conhece tudo o que ainda vamos ser.


(O da direita é o meu Pai, autor  da foto é desconhecido)





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

certoerrado


Bem e mal, certo e errado. Não existem. Existe você. Existem suas vontades, expectativas... E as pessoas. “Os outros”... Eles também existem, com seus próprios vislumbres. As pessoas se sentem bem ou não, de acordo com o que lhes rodeia. Elas podem fazer bem ou mal umas as outras, mas isto é secundário diante da linha progressiva que guia seus atos visando um “ir” que lhe cause o bem. As pessoas querem se sentir bem. Tem uma força que move a todos e faz com que viver tenha algum sentido, e esta força se extrai justamente do viver. E no viver, as pessoas buscam seu próprio bem-estar. Independente “dos outros”. Não de todos os outros, mas de alguns. Por que uma parcela dos “outros” é necessária para que este bem-estar se estabeleça. De repente não exista bondade, não exista amor, não exista paz. Talvez só exista a liberdade. E nós.

Talvez esses substantivos abstratos sejam o coelho das corridas de cachorro. Algo a ser buscado, seguido. Algo que nos impulsione em frente com tanta força que não possamos nos deter e nem somos capazes de entender ou querer entender o por quê.

O que diz se algo é bom ou ruim? Seria o número de pessoas que se beneficiam com ele em detrimento ao número de pessoas que se prejudicam? Se deixar mais pessoas felizes do que tristes, este será algo bom? Ou seria a intensidade da felicidade ou da tristeza a unidade de medida mais adequada? Será mesmo que alguma coisa nesse mundo pode ser medida? Por que esperar dos outros exatamente aquilo que  não sou capaz de fazer? Por que exigir que as pessoas sejam exatamente o que eu não sou? Por que necessitar de tanta atenção? Por que tentar fugir tão desesperadamente da condição humana mais forte? Por que seguir em meio a toda essa estrutura de caminhos pré-traçados? Caminhos prontos desde muito antes de nascer. De eu nascer. De os outros nascerem. O que é um caminho? O que é andar? O que são essas estradas misteriosas que se cruzam dentro de mim? É tudo feito de medo. E é tudo falso. E todo mundo se empenha tanto em falsear ainda mais tudo o que existe... Fuga! Fuga...

Entre dormências e espasmos ainda sinto estrelas nascendo em mim. Sinto que nada é real e ao mesmo tempo tudo o é. Preciso parar de querer tanto. Preciso não esperar tanto das pessoas. Preciso não adotar como meus os substantivos abstratos que movem esse mundo. Coisas me fazem bem e coisas me fazem mal. Mas eu nem sei o que significa isso direito. As pessoas só estão tentando viver, elas não tem a menor culpa. Culpa é outra coisa que não existe... Tudo age por uma força motora oculta que impulsiona tudo à frente. E por isso existe amanhã. Eu não sei de nada. As pessoas não sabem. Quem escolheu no que temos vindo acreditando durante todos esses milênios? Quem escolhe que caminhos devem seguir os amanhãs?

Me sinto aprisionada pelas palavras, e vejo que toda a humanidade está. Imaginam uma revolução das máquinas, da inteligência artificial... Falam em controle do criador pela criatura... Pra mim, isso já acontece desde que inventaram a palavra. Eu quero compreender o que é isso tudo sem a barreira das letras, das frases, dos significados. Eu quero sentir de fato, SENTIR, sem referências, parâmetros ou conceitos. Eu quero querer outras coisas e não a isso a que me sinto tendenciada. Eu não quero querer as pessoas. Eu não quero me aprisionar a elas e tentar a todo custo aprisioná-las a mim, como se nada do que lhes faz bem fosse tão importante quanto eu, como se fosse ao meu redor que flutuasse o universo todo. Quero ser capaz de apenas prolongar o que me faz bem, e até enquanto prolongar o que faz bem aos outros me fizer bem, também quero querer isto. Quero não esquecer que não há no que se apoiar. Não há esteios, eixos, pilastras. Não há nada além da vida. E que não há nada além de mim e os outros. E que todos estamos e sempre estaremos sós.  E que talvez nada haja que nos assemelhe além da liberdade que possuímos. Somos livres. E não sabemos o que buscar. Enfiaram-nos metas goela abaixo. Enfiaram-nos sentidos, objetivos, motivos. Me recuso a ser submissa de um senhor que nem existe. Me recuso a correr atrás do coelho. Eu quero... Eu não sei o que eu quero. Mas eu sinto. Há algo imenso que sinto. Há uma inundação em mim. E isso me impulsiona em todas as direções e ao mesmo tempo imobiliza.

Não sei. Por que todo esse espetáculo? O que eu faço aqui no meio? “Chegou a sua vez”. Diz alguém lhe tocando as costas. Aqui, todo segundo é “a sua vez.” E em todo segundo você sabe que o que menos sabe é o que fazer. Vexatório isso de viver... A maldade existe. Eu a vejo com todos os milhões de olhos espalhados na minha alma. Sinto que talvez quem outrora afirmou que somos todos maus estivesse certo. Tem muita maldade em tudo isso. Ás vezes parece que é ela que move tudo e é ela que faz as plantas crescerem e não o amor como alguém me disse uma vez olhando em meus olhos.  Mas talvez isto seja no que a própria maldade quer que eu acredite.

Talvez a maldade seja eu. Talvez sejam os meus medos ou os meus sonhos. Talvez existir seja uma maldade inevitável.

Temo monstros que não existem. E ignoro os anjos. Mesmo que não existam erros, parece que é tudo um grande equívoco.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sundown - The Jesus and Mary Chain

"Faça uma prece pra mim. 
Se lembre que eu respiro. 
Eu respiro. 
O sol está se pondo. O sol está se pondo... Em mim."

Jesus and Marychain - Sundown

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Parece que não posso mais...


 I can't make it anymore - Richie Havens
...
But something is not the same and i won't let may mind believe
Baby something's wrong, all the feeling's gone
I can't make it anymore, I can't make it anymore

Lately I don't feel much like talking
Instead of going home I just go out walking
And thinking too much and not longing for your touch
Baby something's changed, I don't feel the same
I can't make it anymore, I can't make it anymore
Don't know the reason why, but I just can't lie
When I feel this way, there are things that I must say
Can't make it anymore, I can't make it anymore
Oh anymore

Where did we go wrong? Where do i belong?
Let me found out when, did it all begin
Why I'm leaving you, why our love is through
I can't make it anymore, I can't make it anymore

***

Momento de I can't make it anymore... Música que sempre me amacia os ânimos. O curioso é que sempre cantei o penúltimo verso "Why I'm leaving you, why our love is through" como se terminasse com "why our love is true". Diferença fundamental no sentido da frase, que só agora pude notar.

domingo, 23 de dezembro de 2012

aprofundar-se no alto





































Há uma percussão.
Leve e ritmada.
Pulsar suave. Batida sem baque. Toque de leve. Balançar malemolente.
Suas ondas de som me envolvem num abraço amigo e gentilmente me levam para onde não estou.

Fecho os olhos, abro a alma.
Vou.
Além parece um  bom lugar pra se ir.


"O agora é belo e vale reunir energia para ele. Tudo é importante."
Brahma Kumaris








Novas margens


domingo, 16 de dezembro de 2012