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quarta-feira, 4 de março de 2015

Devaneios madrugados


Tenho lembrado de meus sonhos noturnos. 
Talvez a calma, talvez a alma...
Algo sossegou, algo é agora sereno. Amanheceu será?
Creio que não... Madrugou, apenas.
Essa tranquilidade é de sono e preguiça de acordar (?).
Tranquilidade de fuga, de não querer ver (?).
Que seja, ao menos, que seguir nessa estrada pedregosa não é assim fácil.
Passar voando alto às vezes calha.

Até que chegam outros dias, outras tardes, outras noites, outros outros...
Chegam novas madrugadas, novos madrugares, novas coisas velhas, mente que não cessa, questionamentos intermináveis, dores nas costas, inércia, espasmos, cãibras.
Coração erradio, buracos negros, meia-noites e quintessências, seres e sentires em expansão.
Quasares "pulsando lôa"s. Eu, pequena-grande, infinitesimalmente infinita.

Flashbacks de momentos vindouros pingando a todo momento na bica da alma.
Flashbacks de futuros vividos fazendo lodo nos becos do coração.
E o que de fato já passou, insiste em passar pra sempre, insiste no infinitivo, insiste em me visitar. Insiste, insiste...

Amanheço aqui dentro e acordo da falsa sensação de sossego.
Nada passou, tudo está aqui. Tudo vem e vai.
"Tudo" é uma coisa que pesa e cansa.
"Tudo passa." Sim, tudo passa, passa mas não vai embora, passa por mim a toda hora.
Passa e me arranca o que é sereno, passa e me tortura os olhos de dentro.

Sim, "tudo passa", passa mesmo, até demais, não para de passar e quando passa, me leva junto.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre cair e permanecer em queda.



Passado, presente, futuro...Memória que enlouquece, pensamento em círculos, em ciclos, existência que adoece...

Aquelas flores cheirosas que ganhei e que parecem não ter forças para sobreviver nesse vaso erradio de terra preta em que as coloquei.
Aquelas pinceladas pretas, fortes, finas, sinuosas. Tinta que manchou.

O êxtase do desbravamento do desconhecido. Prelúdio Continuação da queda, consequência do tempo dedicado a olhar o abismo.

Aquele recuo que tanto tempo atrás comecei a dar, para pegar impulso e pular mais alto, voando por sobre o precipício... Aquele retrocedo... Me imobilizou os braços e me confundiu a alma e as pernas... Em cada arroubo de assombros, me puxou mais para trás, como se fosse para trás que eu devesse ir. De costas, percorrendo o caminho contrário, por entre curvas tortuosas, reencontrei o vão em meio às gigantes pedras, e como se houvesse ali um chão, pisei.

Pisei, no nada, no vácuo, no escuro do mundo e a trajetória mudou a direção para baixo, e como quem nunca teve asas, cai.






E depois é o temor, o tremor, e uma dor que dói grave e me esmaga partindo do útero e se espalha em mim. Eis que de tanto a alma sangrar, o corpo sangrou pela segunda vez.

Sinto meu tato se distanciar, olho para minhas mãos como um morto se olha ao morrer. Sinto minha alma enfraquecer. Mas sei que vivo pois o peso do mundo ainda me devasta. Saindo de mim para o universo e vindo do universo para dentro de mim.

Noto de novo que, "viver dói e ai dos dias que me lembram disso". Ai desses dias pois que se tornam noites e pois que neles não há tempo, nem porvir, nem continuação.


A cãibra vem do peito e afeta todos os órgãos. 
                                                                                                                                 Paraliso o o       o   o.



A vida só sinto nos espasmos, segundo a segundo, a me perturbarem os músculos confusos.

Me desprendo lentamente do chão e me diluo, por entre inércias e impulsos. Me espremo, me aperto, e reluto em diminuir, mas me apequeno mais e mais, como quem tem o coração envolto por uma corda áspera, amarrado intensamente com várias voltas ferinas e hostis.

Uma corda de apequenar... Uma corda de ser mal. Uma corda de ser gente...

domingo, 23 de dezembro de 2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Cortisol ou Parabéns, você ganhou um hoje especial, totalmente grátis!

Eis que mais um hoje mortífero despenca de algum buraco negro e esmaga tudo o que há embaixo. Veio ele com a força de todos os orgasmos do mundo de uma só vez. Destruidor e fortalecedor.
Ele não tem olhos, nem boca, nem ouvidos, nem coração. Ele existe para matar. É calculista, frio e meticulosamente bom de mira. Um hoje especial, embrulhado para presente. Embrulhado para futuro. Um hoje cuidadosamente embrulhado...

Quantas vezes um ser humano é capaz de morrer em vida será? Talvez a mesma quantidade de segundos que possua sua existência.... Acho desperdício esse comércio todo ao redor da morte, mas quando morrer,  na minha lápide -se rolar uma- quero que esteja escrito algo assim: "Morreu de nunca aprender a viver. Mas já tinha morrido pra caramba enquanto tava viva, então tanto faz."

...E hoje era um cinco. Um cinco em outubro. Um cinco de outubro.
Cincos de outubros me dão calafrios.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

entranhas

Entre cãibras e espasmos, lapsos e colapsos, gritos e sussurros.
Entre aspas.
Entrelinhas.
Entretanto.
Entre tanto...
Estar entre.
Entrar.
Entranhar.

domingo, 26 de agosto de 2012

Numa tarde qualquer em frente ao rio












Havia uma mulher, com fones nos ouvidos - sozinha. Parecia triste.
Havia outra que, deitada no chão - sozinha - gritava com o ar, sacudia os cabelos, sorria desesperadamente. Parecia louca.
E havia - sozinha- eu.

Em comum entre nós, além do nosso egoísmo, todo o resto.











segunda-feira, 20 de agosto de 2012

acabou chorare

























fez zum zum e pronto.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Seu mal são essas nuvens nos olhos.
Tem problema de céu na vista.
Ainda vai morrer disso,
coitada.