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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

domingo, 16 de dezembro de 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Bege, dores, ônibus.

Dia bege. Ônibus lotado.
Do fone sai a voz rouca e nordestina de Belchior. Na tela fina pendurada atrás da cadeira do motorista, completamente mudas, muitas mulheres semi-nuas cantam, rebolam, são carregadas, tocadas e enfregam-se uma nas outras. No banco em minha frente uma criança me encara. Olho da janela pra rua e de repente alguém que fito por segundos vira e olha exatamente na direção de meus olhos, como se sentisse meu olhar a cutucar suas costas. Vejo uma moto sendo lavada numa calçada. Um laranjado muito forte em algum objeto qualquer me chama a atenção em outra parte da rua.

Em minha mente pensamentos muito rápidos passam sob a forma de palavras soltas: 
"Letargia", "loucura", "fumaça", "taquicardia", "parada", "escolha"...

Em alguma cama por aí alguém sente dores muito fortes. Dentro de uma casa perto dali alguém acha que vai morrer e que não suportará a corrosão interna sentida neste instante. Um pouco mais distante nascem algumas pessoas. Menos longe, alguém que deveria trabalhar não consegue parar de pensar em algo que muito lhe preocupa. Passo pela ladeira e no ritmo das rodas do ônibus "deslizo" por debaixo das sombras frondosas daquelas àrvores gigantes.
Em meu rosto, vento. Em meus olhos, sede. Em meu coração, flores e medo.

Ouço sons de vida brotando e tão fortemente de morte também. Há céu, asfalto, carros, gente, grades, cores, barulho, lágrimas. Há dores, sorrisos, estrelas, crimes, filmes, café, desenhos, chuvas, taxis, vinhos, mágicos, ventiladores quebrados, aviões, casamentos.

Há tantas coisas.
Onde a ordem? Nada tem a ver com nada.  Não tem nada a ver estarmos aqui. Nada tem a ver.
A vida tem me saído tão desconexa... Grande, bela e doida desconexão

segunda-feira, 11 de junho de 2012




























Mas por mais bela que seja,
Cada coisa tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Obra Poética I", Editorial Caminho, 1999

http://conversacoescomdmitri.blogspot.com.br/2012/06/diario-dos-mesmos-pesares-16.html



terça-feira, 5 de junho de 2012

Auto-retratos?




































Um cachorro
Um cachorro filhote
Um cachorro filhote sozinho
Um cachorro filhote sozinho que acabou de acordar
Um cachorro filhote sozinho que acabou de acordar com fome

Confusão gigante na cabeça do coitado.



sexta-feira, 23 de março de 2012




De sentimentos a árvores,
de estados de espírito ao pulsar das veias,
de pedras a pessoas...
a textura
das coisas todas
muito me interessa.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Não quero mais saber de nós.



As linhas todas, sejam longas, sejam "entre", sejam tortas, sejam ásperas... As quero.
Se tiverem que arrebentar, que arrebentem.
Se tiverem que se esticar, que se estiquem. 
Se tiverem que ser tênues, que sejam. 


Se for pra serem infinitas, que seus não-começos emendem com seus não-fins...
Que se enrolem, que se fortaleçam, que sustentem algo ou que levem pra algum lugar... 


Que não deixem de ser linhas,
e que não deixem de haver também os laços,

...mas que não haja nós.







segunda-feira, 19 de setembro de 2011

recreio

  

















Sujar as mãos, as calças, a roupa toda. Me ralar, me machucar. Me arrebentar, quebrar a cara, um braço (quebrar as pernas), enfim... Eu posso, que é agora o momento das cicatrizes duradouras, da formação da pele grossa que vai me proteger mais adiante. É agora a hora de sentir as dores insuportáveis dos baques dos cotovelos na dureza das quinas dos brinquedos do parque, só pra saber depois que existem dores maiores e que essas minhas são infimamente suportáveis. Assim como é o momento de cair aos prantos por querer aquela bicicleta ou aquele tênis que acende quando a gente pisa, só pra saber depois que posso muito bem viver sem eles, e que existem milhões de bicicletas e tênis espalhados por esse mundão, que nunca deixarão de existir apenas por que eu não posso tê-los e que querer outras coisas é só uma questão de escolha, e sou eu que comando isso. 



Faz um tempo que eu me sinto assim, no recreio. 
De repente ele até dure pra sempre, não sei... Por enquanto me resta entrar na ciranda e brincar sem maiores pretensões.