segunda-feira, 23 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Acho que podemos conviver duzentos anos com um ser humano que ainda assim sua alma continuará sendo um universo infinito, (quase) impenetrável, um buraco-negro, um abismo, toda a ordem e todo caos...
Só conhecemos das pessoas aquilo que por elas nos é permitido ter acesso.
O que sobra de suas almas além daquilo a que acessamos é desconhecido e adormece por detrás da acomodação e das muitas mentiras (consentidas ou não).
Esse resto todo dança inquieto nos vãos de cada caos interior.
Só conhecemos das pessoas aquilo que por elas nos é permitido ter acesso.
O que sobra de suas almas além daquilo a que acessamos é desconhecido e adormece por detrás da acomodação e das muitas mentiras (consentidas ou não).
Esse resto todo dança inquieto nos vãos de cada caos interior.
sexta-feira, 23 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
De repente o escuro é um tipo de luz...
Hoje pensei na sombra como um outro tipo de luz, não como a ausência dela, mas como outra forma de luminosidade, com partículas, matéria... Fiquei pensando no quanto a gente tenta evitar o contato com o escuro, com o que não é luz. Talvez pelo peso que o escuro carrega... Pensei nisso estando num lugar muito grande, vazio e escuro. Quer dizer, vazio não, ali estava cheio de alguma coisa densa, o escuro junto com o silêncio formaram uma matéria tão concreta quanto todos aqueles assentos sem ninguém e tão sufocante e misteriosa quanto uma floresta inóspita.
Enfim... Sei que provavelmente tudo isso deve ser científicamente estúpido. Em alguma mente -ou mesmo em muitos livros- do mundo deve haver uma explicação clara e óbvia pra que isso seja besteira. Normal.
Enfim... Sei que provavelmente tudo isso deve ser científicamente estúpido. Em alguma mente -ou mesmo em muitos livros- do mundo deve haver uma explicação clara e óbvia pra que isso seja besteira. Normal.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Não quero mais saber de nós.
As linhas todas, sejam longas, sejam "entre", sejam tortas, sejam ásperas... As quero.
Se tiverem que arrebentar, que arrebentem.
Se tiverem que se esticar, que se estiquem.
Se tiverem que ser tênues, que sejam.
Se for pra serem infinitas, que seus não-começos emendem com seus não-fins...
Que se enrolem, que se fortaleçam, que sustentem algo ou que levem pra algum lugar...
Que não deixem de ser linhas,
e que não deixem de haver também os laços,
...mas que não haja nós.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
frio súbito de estamira na alma
Nossa senhora da liberdade,
onde quer que estejas dentro de mim, livrai-me dessa armadura.
Quero
-nua diante da existência-
apenas ser.
onde quer que estejas dentro de mim, livrai-me dessa armadura.
Todas essas cascas que brotam como espasmos e se aglomeram me cobrindo e me imobilizando,
fazendo arder os olhos e me agoniando o juízo...
Derreta-as!
fazendo arder os olhos e me agoniando o juízo...
Derreta-as!
Não quero mais me proteger. Preciso me abster das defesas.
Quero
-nua diante da existência-
apenas ser.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
Eu gosto do estrago
"É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? (...) Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós."
Foi Kafka quem disse isso, e eu gosto muito dessas palavras, talvez pelo fato delas representarem a forma como tento lidar com a vida ou o aspecto da vida pelo qual, consciente ou inconscientemente, mais me atraio.
domingo, 25 de dezembro de 2011
"O Silêncio" de Mohsen Makhbalfaf.
"É preciso fechar os olhos pra enxergar. A visão nos distrai."
......
Outra raridade que conheci neste ano.
Com sons, texturas e detalhes encantadores.
Esse é um filme simples e lindo.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Três filmes que tive o prazer de conhecer em 2011:
O Céu de Suely, de Karim Aïnouz;
O céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta e
José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
"Quanto é a passagem pro lugar mais longe daqui?"
"O que um pé de manga espada sabe sobre o amor,
além das marcas deixadas por bêbados e vândalos?"
“Olha que coisa linda que acabei de dizer, Pilar:
eu tenho ideias para romances e você tem ideias para a vida.
O que é mais importante?”.
“Eu não sei, mas acho que são ideias para a vida”
FOME!
Ano estranho esse dois mil e onze...
Definitivamente, a palavra que o descreve é intensidade.
Não sei ao certo quantos anos se passaram dentro desse, sei que muitas pessoas esbarraram em mim por caminhos infinitos, assim como muitos caminhos esbarraram em mim por pessoas infinitas.
Não me lembro de em toda a minha vida ter permitido tamanha invasão em meu território... Não me lembro de ceder tantos lotes de mim assim...
Vivi momentos de sentir a eternidade nas mãos, de ouvir a música do universo e notar que o ritmo se assemelha ao do meu coração.
Teve riso, muito riso. Teve brilho em muitos olhos. Closes, zoons e tudo o que é o mais perto possível. Teve laço, teve abraço, teve plano, teve suor, teve cansaço, teve amor, amizade, teve ódio, teve muitas flores, muitas nuvens. Nuvens demais.
Fui ao céu e caí de lá várias vezes. Criei asas e troquei as penas numa velocidade até então desconhecida. Fui deus e fui também demônio.
Muitos acasos e muitas borboletas me levaram a lugares aonde eu queria exatamente estar e a outros nos quais nunca me imaginei, pelo contrário, sempre evitei, repudiei...
Recebi marteladas as quais já fazem parte do que sou hoje e já me arrancaram um punhado bem grande de qualquer leveza que eu pudesse possuir até então. Agora em algum lugar aqui dentro há muito espaço pra ser aço, pedra e lama, onde antes sempre foi jardim.
Meu corpo virou -mais que nunca- um trombolho desgovernado. Me saturei de mim. Me expeli de mim. Minha mente virou um ruído de fora do ar.
Implorei pra que o mundo parasse, pra que eu pudesse descer, mas que nada, ele só acelerou.
Nunca agi tanto, nunca mudei tanto, nunca falei tanto, nunca dancei ou chorei tanto quanto nesse ano. Nunca havia vivido tantos ''tantos'' assim.
Muita coisa bonita. A beleza superou a maldade, de longe.
Nasci e morri mil vezes. Como sei que deve ser.
Fechei os olhos e quando os abri, notei que estavam mais abertos que antes.
Sobraram ainda muitas folhas secas, explosões e silêncio. Sobraram ainda muitas coisas que não deveriam sobrar.
Esse foi um ano de muitas voltas ao infinito. Um ano doido, frenético, neurastênico, caótico... Amei ele por isso.
Prefiro o movimento, mesmo que requeira sacrifícios montanhosos.
O que fica é uma grande tontura de quem fez e sentiu muito, tudo ao mesmo tempo.
O caos de sempre, mas elevado a alguma potencia desconhecida.
Fica uma náusea, uma febre, uma vertigem.
Termino esse conjunto de meses sendo muito menor do que sempre fui.
Com medo, encolhida num canto.
Mas com uma ânsia gigante de vida, de universo, de gente.
Dois mil e onze me presenteou com muita sede, e com muita fome de horizonte.
Infinitamente, obrigada.
Definitivamente, a palavra que o descreve é intensidade.
Não sei ao certo quantos anos se passaram dentro desse, sei que muitas pessoas esbarraram em mim por caminhos infinitos, assim como muitos caminhos esbarraram em mim por pessoas infinitas.
Não me lembro de em toda a minha vida ter permitido tamanha invasão em meu território... Não me lembro de ceder tantos lotes de mim assim...
Vivi momentos de sentir a eternidade nas mãos, de ouvir a música do universo e notar que o ritmo se assemelha ao do meu coração.
Teve riso, muito riso. Teve brilho em muitos olhos. Closes, zoons e tudo o que é o mais perto possível. Teve laço, teve abraço, teve plano, teve suor, teve cansaço, teve amor, amizade, teve ódio, teve muitas flores, muitas nuvens. Nuvens demais.
Fui ao céu e caí de lá várias vezes. Criei asas e troquei as penas numa velocidade até então desconhecida. Fui deus e fui também demônio.
Muitos acasos e muitas borboletas me levaram a lugares aonde eu queria exatamente estar e a outros nos quais nunca me imaginei, pelo contrário, sempre evitei, repudiei...
Recebi marteladas as quais já fazem parte do que sou hoje e já me arrancaram um punhado bem grande de qualquer leveza que eu pudesse possuir até então. Agora em algum lugar aqui dentro há muito espaço pra ser aço, pedra e lama, onde antes sempre foi jardim.
Meu corpo virou -mais que nunca- um trombolho desgovernado. Me saturei de mim. Me expeli de mim. Minha mente virou um ruído de fora do ar.
Implorei pra que o mundo parasse, pra que eu pudesse descer, mas que nada, ele só acelerou.
Nunca agi tanto, nunca mudei tanto, nunca falei tanto, nunca dancei ou chorei tanto quanto nesse ano. Nunca havia vivido tantos ''tantos'' assim.
Muita coisa bonita. A beleza superou a maldade, de longe.
Nasci e morri mil vezes. Como sei que deve ser.
Fechei os olhos e quando os abri, notei que estavam mais abertos que antes.
Sobraram ainda muitas folhas secas, explosões e silêncio. Sobraram ainda muitas coisas que não deveriam sobrar.
Esse foi um ano de muitas voltas ao infinito. Um ano doido, frenético, neurastênico, caótico... Amei ele por isso.
Prefiro o movimento, mesmo que requeira sacrifícios montanhosos.
O que fica é uma grande tontura de quem fez e sentiu muito, tudo ao mesmo tempo.
O caos de sempre, mas elevado a alguma potencia desconhecida.
Fica uma náusea, uma febre, uma vertigem.
Termino esse conjunto de meses sendo muito menor do que sempre fui.
Com medo, encolhida num canto.
Mas com uma ânsia gigante de vida, de universo, de gente.
Dois mil e onze me presenteou com muita sede, e com muita fome de horizonte.
Infinitamente, obrigada.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Ao Bolota, que nunca mais vi.
Hoje, "nhori nhori" tá ecoando na minha cabeça.
Ai, queria te mostrar tanta coisa...
Queria te dizer das coisas que tenho feito, ias gostar muito eu sei. Saudade de conversar contigo.
Uma saudade gigante de parar naquela praça toda vez, de beijar aquela careca e em seguida aparecer do nada na tua cozinha depois de tirar a cortina de pano do caminho.
Saudade de colocar os papéizinhos das comandas naquela caixa de madeira, cheia de quadradinhos. De sentar do lado daquele papai noel piauense e com ele jogar conversa fora, observar as pessoas e ouvir suas histórias.
Saudade de ter ciúme de vocês com todo mundo. Saudade de te prometer uma viagem pra Fortaleza, de me convidar pra ir na sua ilha legal.
Saudade de vê-los quando queria, dos abraços macios e aconchegantes, de contar quantos navios tinham no rio, de ver a lua nascendo da água, de assistir aos mesmos dvds piratas de sempre, de lavar as tulipas sujas de cerveja, de convidá-los pros nossos picnics, de ouvir suas vozes, suas gargalhadas, suas reclamações. De enxergar o cansaço nos seus olhos, de sentir a força das ausências em suas almas.
Ainda bem que vocês passaram por mim, ainda bem que fizemos parte dos universos um do outro.
Saudade de vocês aqui.
Quanta falta.
Ai, queria te mostrar tanta coisa...
Queria te dizer das coisas que tenho feito, ias gostar muito eu sei. Saudade de conversar contigo.
Uma saudade gigante de parar naquela praça toda vez, de beijar aquela careca e em seguida aparecer do nada na tua cozinha depois de tirar a cortina de pano do caminho.
Saudade de colocar os papéizinhos das comandas naquela caixa de madeira, cheia de quadradinhos. De sentar do lado daquele papai noel piauense e com ele jogar conversa fora, observar as pessoas e ouvir suas histórias.
Saudade de ter ciúme de vocês com todo mundo. Saudade de te prometer uma viagem pra Fortaleza, de me convidar pra ir na sua ilha legal.
Saudade de vê-los quando queria, dos abraços macios e aconchegantes, de contar quantos navios tinham no rio, de ver a lua nascendo da água, de assistir aos mesmos dvds piratas de sempre, de lavar as tulipas sujas de cerveja, de convidá-los pros nossos picnics, de ouvir suas vozes, suas gargalhadas, suas reclamações. De enxergar o cansaço nos seus olhos, de sentir a força das ausências em suas almas.
Ainda bem que vocês passaram por mim, ainda bem que fizemos parte dos universos um do outro.
Saudade de vocês aqui.
Quanta falta.
do que não consigo saber
dragões
moinhosdevento
estrelasapagadas
amoràscausasperdidas
tudoenada
oquenãotemsignificado
oquenãoseconhece
oqueéinfinito
oquesóexistepramim
silenciosquerasgam
ondevivemosmonstros
oqueeuinvento
comoeuvejo
oquerealmenteimporta
oqueédefato
.caos.
engoliromundo
seapaixonardenovopelavida
oquefazasplantascrescerem
quemseimporta
edaí?
muitasperguntas
muitaambição
parardequerertantacoisa
parardequerertantacoisa
.parar.
cacos
buracosnegros
nebulosas
oquenãodápraexplicar
oquenãosedeveexplicar
.oqueeunãoquerosaber.
.Eu quero.
Me esconder nas pinturas de Klimt ou nos olhos vazios das pessoas de Modigliani...
Todas as suas cores e todos os seus sentires.
Suas linhas, suas curvas, seus corações. Seus pesares.
Eu quero.
sábado, 3 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
E se
E se eu tiver me perdido num espaço entre a melodia de uma música, umas páginas tristes de Fernando Pessoa, o arrastar dos meus pés por calçadas cheias de pó e o deslizar de minha sombra na aspereza dos muros?
E se eu tiver ficado numa rua vazia por onde passei, nos olhares ocos que encarei ou na bicicleta que vi passar levando o casal de velhinhos?
E se eu tiver acompanhado a parte do lápis de cor que vai pro lixo quando apontado? E se o vento tiver me levado? E se eu tiver ficado presa num outubro que nunca vai ter fim?
E se eu tiver ficado numa rua vazia por onde passei, nos olhares ocos que encarei ou na bicicleta que vi passar levando o casal de velhinhos?
E se eu tiver acompanhado a parte do lápis de cor que vai pro lixo quando apontado? E se o vento tiver me levado? E se eu tiver ficado presa num outubro que nunca vai ter fim?
domingo, 13 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
desatar o nós
No nada, a nau frágil afunda segue. Tudo se esvaindo pelo ralo.
-águas revoltas-
maremotos e naufrágios,
mares mortos e nós frágeis
-desatar-
nós
naus, frágeis,
mares
e mortos.
-águas revoltas-
maremotos e naufrágios,
mares mortos e nós frágeis
-desatar-
nós
naus, frágeis,
mares
e mortos.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Carta aos loucos - Carlos Nejar
"Anotou que ao redor de todo o círculo, um outro pode ser traçado; e que não há fim na natureza, mas todo o fim é um começo. E eu não esquecia que cada ato é um círculo e cada profundeza gera algo mais profundo."
(o trecho preferido do meu livro preferido)
(o trecho preferido do meu livro preferido)
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
p. n.
Não sei : a pior resposta pra se ouvir,
principalmente quando tudo o que se quer é um sim ou um não. Mas é,
talvez, a mais verdadeira. Tenho pra mim que mesmo quando optamos pelo sim ou
pelo não, a resposta “certa” é o não sei.
A gente gosta de fingir que sabe, e fazemos isso tão bem que até mesmo nós
acreditamos.
O
não sei reflete muito bem a confusão
que é a nossa mente. Quando ouço um não
sei, quase posso enxergar milhões de palavras, imagens, sentimentos, sons, silêncios,
possibilidades, experiências e situações diversas flutuando embaralhadas na parede mental de
quem fala. Nesses instantes capto e sinto a ânsia de quem procura incessantemente
sem saber exatamente o que procura. Por que além das infinitas respostas, há
infinitas perguntas. Qual escolher? Definitivamente, não sei.
domingo, 2 de outubro de 2011
luz dos olhos para anoitecer
De tanto dar murros em pontas de faca, suas mãos ficaram dormentes, e logo toda a sua alma adormecera. Nada mais sentia.
Ela queria mesmo que aquilo cicatrizasse logo, mas, apesar de não perceber, na verdade não conseguia parar de cutucar as feridas que ela mesmo abrira.
Ela queria mesmo que aquilo cicatrizasse logo, mas, apesar de não perceber, na verdade não conseguia parar de cutucar as feridas que ela mesmo abrira.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
prece
Que eu não perca a noção da proporção "real" das coisas.
Que essas lupas em meus olhos, ouvidos e mãos,
assim como esses caleidoscópios na minha alma, não me tornem ainda mais tola.
Que eu nunca esqueça de enxergar sob perspectivas maiores -a da eternidade se possível.
Que eu nunca assimile por completo a pretensão de não ser ainda mais tola.
Que eu nunca esqueça de me reposicionar diante do universo.
Que eu nunca esqueça de todo o encanto que há.
Que essas lupas em meus olhos, ouvidos e mãos,
assim como esses caleidoscópios na minha alma, não me tornem ainda mais tola.
Que eu nunca esqueça de enxergar sob perspectivas maiores -a da eternidade se possível.
Que eu nunca assimile por completo a pretensão de não ser ainda mais tola.
Que eu nunca esqueça de me reposicionar diante do universo.
Que eu nunca esqueça de todo o encanto que há.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
vida, dai-me malandragem.
"Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas"
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas"
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
recreio
|
Sujar as mãos, as calças, a roupa toda. Me ralar, me machucar. Me arrebentar, quebrar a cara, um braço (quebrar as pernas), enfim... Eu posso, que é agora o momento das cicatrizes duradouras, da formação da pele grossa que vai me proteger mais adiante. É agora a hora de sentir as dores insuportáveis dos baques dos cotovelos na dureza das quinas dos brinquedos do parque, só pra saber depois que existem dores maiores e que essas minhas são infimamente suportáveis. Assim como é o momento de cair aos prantos por querer aquela bicicleta ou aquele tênis que acende quando a gente pisa, só pra saber depois que posso muito bem viver sem eles, e que existem milhões de bicicletas e tênis espalhados por esse mundão, que nunca deixarão de existir apenas por que eu não posso tê-los e que querer outras coisas é só uma questão de escolha, e sou eu que comando isso.
Faz um tempo que eu me sinto assim, no recreio.
De repente ele até dure pra sempre, não sei... Por enquanto me resta entrar na ciranda e brincar sem maiores pretensões.
c'alma
"Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...
Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...
...
Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...
Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a almaTenha a mesma idadeQue a idade do céuA mesma idade
Que a idade do céu..."
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a almaTenha a mesma idadeQue a idade do céuA mesma idade
Que a idade do céu..."
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Viver dói e é perigoso.
Engraçado... Eu não tenho medo. Nem do mundo e nem das pessoas.
Tenho medo é das palavras.
Palavras têm vida própria, são irrecuperáveis e quase incontroláveis.
Palavras são seres arbitrários que muitas vezes se tornam traiçoeiros.
Delas sim tenho medo.
As pessoas, essas dividem comigo os mesmo dramas, eu sei que o máximo de maldade que podem fazer é me matar.
As palavras, essas já não matam de verdade, mas matam da pior maneira, enquanto ainda estamos vivos.
Engraçado... Eu não tenho medo. Nem do mundo e nem das pessoas.
Tenho medo é das palavras.
Palavras têm vida própria, são irrecuperáveis e quase incontroláveis.
Palavras são seres arbitrários que muitas vezes se tornam traiçoeiros.
Delas sim tenho medo.
As pessoas, essas dividem comigo os mesmo dramas, eu sei que o máximo de maldade que podem fazer é me matar.
As palavras, essas já não matam de verdade, mas matam da pior maneira, enquanto ainda estamos vivos.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
exa-gerei quimeras
Tinha guardado estrelas pra gente brincar depois,
e um monte de flores,
Umas bolhas de sabão pus no bolso,
Algodões macios escondi entre meu pescoço, nuca e cabelos pra que achasses mais tarde,
Ventos suaves acomodei entre minhas pálpebras pra te oferecer quando nossos olhares fossem dançar
Um punhado de jardim tinha plantado na minha alma pra te aconchegar e te oferecer cheiro de mato e de tantas cores das flores mais diferentes e bonitas que eu fosse capaz de oferecer
Me encharquei de chuvas imensas só pra te proteger da seca sempre iminente
Tinha embalado pra viagem três vôos serenos pra te envolver nas noites de inverno (de um urubu, de um beija-flor e de uma monarca azul)
Absorvi a energia de árvores gigantes e muito antigas só pra alimentar tua alma.
Tinha ouvido todos os sons do silêncio e guardado pra te dar
Todos os mares do universo eu tinha posto debaixo do braço pra regar teus desertos
e pra nadarmos -náufragos que somos- juntos e sem rumo
Tinha enchido pra ti infinitos sacos com os sorrisos e olhares brilhosos das crianças todas desse mundo
Havia recolhido todas as chaves e as ofereceria a ti
Peguei meu mundo e enrolei num pano delicado pra te dar
Como se já não tivesses brinquedos suficientes e nem um céu todo teu,
Como se já não tivesses não somente um jardim, mas toda uma floresta florida
E como se toda a fragilidade e encanto das bolhas de sabão já não fossem teus
Como se tuas mãos já não tivessem algodões dos mais macios e doces para colher
Como se todos os ventos, tanto brisas quanto furacões, já não te pertencessem
Como se teus olhos já não tivessem companhia pra dançar essa vida doida de ritmos estranhos
Como se a tua alma já não fosse só de chuva e seca ao mesmo tempo
Como se tuas próprias penas não fossem suficientes para dar serenidade a teus vôos
e como se não tivesses a convicção de que não podes voar,
Como se tua alma já não fizesse fotossíntese,
Como se não fosses feito todo de silêncio.
Como se não fosse necessário antes de tudo isso, realmente quereres
ou precisares de um mundo de presente,
Como se um universo transparente, desfocado e esquisito fosse te dar alguma alegria
Como se todas as tristezas da vida já não te pertencessem
Como se em teu país ainda não tivesse havido uma revolução
Como se outras pessoas já não povoassem a terra que és
Como se o carinho e proteção do mundo já não te esperassem no aconchego de casa
Como se todas as crianças do mundo já não fossem tuas,
Como se eu não tivesse medo das palavras, te ouvi.
Como se eu tivesse todas as chaves desses cadeados, destranquei minhas portas pra tua voz, teu nada, teu oceano deserto de palavras, pra ti.
Como se já não possuísses profundezas oceânicas, quis atingir contigo o profundo dos cosmos
E como se nossas almas não existissem sós, achei que alguma fusão houvesse acontecido
Tudo isso guardei e te ofereci
Como se realmente precisasses de qualquer coisa dessas,
E como se não fosse eu, o tempo todo, que as quisesse ter.
onde fica esse "aqui" mesmo?
Oi vácuo do universo! Cheguei e esqueci de te cumprimentar... Pois é, eis-me aqui rendida pela possibilidade de meus pensamentos ecoarem pela eternidade nesse vão estranho que é a internet. Nunca quis fazer um blog, nunca achei que fosse ser útil a mim, ao mundo, ou a qualquer coisa. Mas outro dia me toquei que o único suporte não perecível de memórias e pensamentos existente nesse nosso mundo doido, é a bendita internet. Não que eu tenha algo a acrescentar ao mundo, mas é que me agrada a possibilidade de com alguns pequenos movimentos eu ter acesso a pensamentos que talvez já nem me pertençam mais, com os quais talvez nem concorde mais e cuja relevância já nem me interesse talvez.
Interessante poder entrar em "contato" com a pessoa que fui há instantes atrás, ou há dias, anos atrás... E eu sei que muitas vezes a eu que lerá já não será a eu que escreveu. Aqui é então uma boa forma de catalogação das eus que me habitam, me frequentam ou que passam por mim.
E se as fotos e os vídeos já fazem esse papel de portais ludibriadores do tempo e do espaço, a internet desbanca a todos e vem entregar, a quem interessar, o poder da eternidade.
Simples assim: aqui nada envelhece. Aqui tudo é eterno e plano. Aqui nem o cheiro da morte passa perto e só o que pode haver de fim é o abandono, mas mesmo diante dele a proteção de estar sendo vigiado por infinitos olhos espalhados pelo mundo traz algo de relativo conforto. E aqui é um lugar que nem existe e ao mesmo tempo existe em toda parte. Aqui se tem o controle da existência e se se cansa dela basta excluí-la (sim, é indolor). E aqui não há lixo, ou melhor, o lixo que há não ocupa espaço e não polui.
É, enfim, uma boa dimensão pra se passear de vez em quando, um bom refúgio... Aqui as vozes não falam e as palavras são enxergadas e não ouvidas.
Aqui há um grande silêncio, dá pra gritar sem causar incômodo. Dá pra ficar diante do vácuo sem a iminência de cair. Ok, me convenci, aqui é um (não)lugar legal pra se brincar.
......
Ah sim, vou usar o blog como portfólio também já que às vezes é necessário... Então deixa eu explicar: a maioria das coisas que posto aqui são de minha autoria (textos, fotos e ilustrações), o que não é meu está devidamente identificado. Tá bom? Se não conseguires entender nada e sei lá por que razão ainda queira falar comigo, podes entrar em contato pelo email carlaantunesmcp@gmail.com e carlaantunes.edu@gmail.com, que aí resolvemos essa parada. (:
Flickr: http://www.flickr.com/photos/carlaantunes/
https://www.facebook.com/carlaantunesmcp
Ah sim, vou usar o blog como portfólio também já que às vezes é necessário... Então deixa eu explicar: a maioria das coisas que posto aqui são de minha autoria (textos, fotos e ilustrações), o que não é meu está devidamente identificado. Tá bom? Se não conseguires entender nada e sei lá por que razão ainda queira falar comigo, podes entrar em contato pelo email carlaantunesmcp@gmail.com e carlaantunes.edu@gmail.com, que aí resolvemos essa parada. (:
Flickr: http://www.flickr.com/photos/carlaantunes/
https://www.facebook.com/carlaantunesmcp
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
inigmível??
Bom... Não é inefável, nem inexplicável ou indizível... É tudo aquilo que não sei dizer por que não existe e existe muito. O que não dá pra explicar, por que ainda não foi inventado ou estudado e talvez nunca seja. É tudo o que eu quiser, tudo o que já quis, tudo o que eu não sei, o que há de ser e o que nunca foi. É o tudo e o nada que não se vê, nem se ouve, e só se sente, pois que, indescritivelmente, É.
*Inventei essa palavra com um dos seres que mais amo nesse pequeno planeta, minha irmã Aline Antunes, por que a gente sente um monte de inigmivelidades quando estamos juntas.
*Inventei essa palavra com um dos seres que mais amo nesse pequeno planeta, minha irmã Aline Antunes, por que a gente sente um monte de inigmivelidades quando estamos juntas.















