sexta-feira, 20 de julho de 2012

O universo é uma saia bordada com estrelas,
uma saia feita de um pano muito macio mas muito pesado.
A vida é uma saia bordada com milhares de minúsculos universos e costurada com fios longos feitos de mistérios rebuscados.  

Nascemos usando estas duas saias ao mesmo tempo.
Mesmo quem não quer isso. Mesmo quem não vê isso. Mesmo quem não sente isso.
É inevitável, todos nós as vestimos.  
Não sei bem, mas me parece ser preciso dançar se não quisermos sentir o verdadeiro peso delas.
E pode ser que a gente não tenha sido feito pra aguentar tais pesos. Talvez sejamos pequenos demais.
Pode ser que dançar seja mesmo nossa única opção. Mas também pode ser que eu esteja errada.




terça-feira, 17 de julho de 2012

Bege, dores, ônibus.

Dia bege. Ônibus lotado.
Do fone sai a voz rouca e nordestina de Belchior. Na tela fina pendurada atrás da cadeira do motorista, completamente mudas, muitas mulheres semi-nuas cantam, rebolam, são carregadas, tocadas e enfregam-se uma nas outras. No banco em minha frente uma criança me encara. Olho da janela pra rua e de repente alguém que fito por segundos vira e olha exatamente na direção de meus olhos, como se sentisse meu olhar a cutucar suas costas. Vejo uma moto sendo lavada numa calçada. Um laranjado muito forte em algum objeto qualquer me chama a atenção em outra parte da rua.

Em minha mente pensamentos muito rápidos passam sob a forma de palavras soltas: 
"Letargia", "loucura", "fumaça", "taquicardia", "parada", "escolha"...

Em alguma cama por aí alguém sente dores muito fortes. Dentro de uma casa perto dali alguém acha que vai morrer e que não suportará a corrosão interna sentida neste instante. Um pouco mais distante nascem algumas pessoas. Menos longe, alguém que deveria trabalhar não consegue parar de pensar em algo que muito lhe preocupa. Passo pela ladeira e no ritmo das rodas do ônibus "deslizo" por debaixo das sombras frondosas daquelas àrvores gigantes.
Em meu rosto, vento. Em meus olhos, sede. Em meu coração, flores e medo.

Ouço sons de vida brotando e tão fortemente de morte também. Há céu, asfalto, carros, gente, grades, cores, barulho, lágrimas. Há dores, sorrisos, estrelas, crimes, filmes, café, desenhos, chuvas, taxis, vinhos, mágicos, ventiladores quebrados, aviões, casamentos.

Há tantas coisas.
Onde a ordem? Nada tem a ver com nada.  Não tem nada a ver estarmos aqui. Nada tem a ver.
A vida tem me saído tão desconexa... Grande, bela e doida desconexão

domingo, 15 de julho de 2012

A porta abriu sozinha.
Um espírito? Uma tempestade? Um fenômeno?
Não.
A porta não estava bem fechada.  Simples.

Qualquer vento besta abre portas mal fechadas.

E aí, será que deixo aberta, fecho mal fechada de novo, ou tranco logo?

sábado, 7 de julho de 2012




















"Está chovendo ou é um sonho?''
"Os dois."



 



















"Solto as palavras no aquário.
Entre algas navego nas estrelas.
Sigo só no sonho e me desperto.
Num abraço no vento embaraço meus cabelos.
Abro os olhos para amanhã que se estende
no quintal da minha ausência.
Acerto o relógio para esquecer o tempo.

Estou aqui e o que fazer?
Os rostos de concreto, as roupas de aço,
Estou aberto à flor, ao crime, ao anonimato.
Respiro e sigo em frente entre os feridos." 


Ronaldo Rodrigues






quarta-feira, 4 de julho de 2012

quem sabe a vida é não sonhar...

imagem da internet

















E vem aquele anjo estranho sussurrar em meu ouvido que talvez as minhas verdades não interessem a ninguém.
Seco, me encara e pergunta com seus olhos:
O que queres provar?
O que é isso que procuras? Pra quê?

Seu silêncio me convence dizendo: Cala-te. "Abstém-te e suporta''. Olhe ao redor, mas olhe "sob a perspectiva da eternidade".


Sem opção, engulo o grito.
E a vida me morre mais um pouco.


domingo, 1 de julho de 2012

Dias de cores.
Plano de fundo borrado.
Sorrisos de sábado.
Abraços de domingo.
Pupilas dilatadas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Há uma gaita...
...rouca, insistente, oscilante.

De sons densos, fibrosos. De trama forte.

Suas notas vibrantes são fios de prata
que riscam o universo de um jeito quase infantil,
focadas em pontos específicos
mas com linhas desajeitadas e imprecisas..

São ruídos, 
riscos,
cujas luzes explodem as pupilas do mundo.

Não sei. Explodo.

E de repente nem é música
e de repente é só grito
ou só rasgo.

De repente é um galho brotando, de repente é o infinito.


*sentimento crocante/cortante/concentrado*
Gaita na garganta, gaita em meus olhos, gaita no meu peito.

.Rouquidão.




segunda-feira, 11 de junho de 2012




























Mas por mais bela que seja,
Cada coisa tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Obra Poética I", Editorial Caminho, 1999

http://conversacoescomdmitri.blogspot.com.br/2012/06/diario-dos-mesmos-pesares-16.html



sexta-feira, 8 de junho de 2012

"primeiro estranha-se..."
























Viver é muito estranho.
Quando será que vou me acostumar?
Tá ficando meio assustador... 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Auto-retratos?




































Um cachorro
Um cachorro filhote
Um cachorro filhote sozinho
Um cachorro filhote sozinho que acabou de acordar
Um cachorro filhote sozinho que acabou de acordar com fome

Confusão gigante na cabeça do coitado.



eclipse oculto


Minha mais nova conclusão (precipitada?):
Viver é enganar-se. Ser enganado. 
Estão te fazendo de otário nesse momento.
Há sempre alguém tentando te passar pra trás... Todo dia, ao menos uma pessoa no mundo mente pra ti. 
Te omitem coisas. Distorcem, manipulam. Inventam...
A verdade é que não sabes a verdade, pois verdade não há e há muitas.
Engana a teu próximo como engana-te a ti mesmo, é o que se aprende quando se torna adulto.
O que há por trás de todos esses véus? Como seria se nenhum véu houvesse?
Até que ponto esse fingimento generalizado é algo natural ou apenas um meio de sobrevivência nessa selva de máscaras?

terça-feira, 29 de maio de 2012

Eu quero é ver o oco, cheirá-lo, senti-lo, abraçá-lo e explodir com ele.


De novo aquela vontade de engolir o mundo... Ânsia imobilizante de fazer tudo, que leva inevitavelmente a não se fazer nada. Vontade de "explodir colorido, no céu dos cinco sentidos. Nada no bolso ou nas mãos.” como bem descreve a frase da música caetanavelósica.
Muitas coisas me vêm em mente pra fazer, muitos assuntos batem à portinhola torta da minha cabeça a fim de serem destrinchados em tentativas quaisquer de textos. Muitos projetos, muitos achismos, muitas confusões. Uma angústia que não vem do vazio existencial, aquele que nos visita de quando em quando, mas sim de um troço que seria uma espécie de cheio existencial, é um muito, é um tudo, um tanto muito de tudo.
Universo se expandindo através de novos movimentos. Organização não há. O caos é a ordem. A desordem conduz. Novidades. Caminhos mil. Estanco. Descompreendo tudo. Compreendo nada. Refugio-me. Me abstenho de mim. Mas em alguma parte do ar acima desse mar que me navega turbulento, passeiam mansas aves que sabem ser este um daqueles momentos que antecedem a chegada ao cume da montanha de subida tortuosa. O máximo de alguma coisa que em instantes tornar-se-á seu extremo oposto inversamente proporcional. O que vem? O que vem? O que vem? O que vem? O que vem?  Pergunta doido o eco da minha consciência. O quê, meu deus, pode vir? O que está por vir? O que esse devir safado está a guardar de mim/ a mim?
O QUE SERÁ?

*

“A realidade é um fluxo ao qual é impossível se apegar. Não há nada seguro nesse mundo.”

terça-feira, 22 de maio de 2012

De longe as pessoas são tão pequenas, aliás, é tudo tão pequeno quando se está distante.
Há, porém, um perto -um destino não muito fácil de se chegar- que escancara a grandeza de universo que todo mundo traz consigo.
Depois de alcançado, fica parecendo mesmo é que não há nada e nem ninguém que não traga em si o peso da complexidade de existir.

quarta-feira, 16 de maio de 2012


Vou fingir que não sei de todas as coisas que finges não existir.
Vou fingir que sabes fingir.
Vou te fingir pra mim, só pra não perder o costume.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

dance.

Ouço essa música,
delicada, macia, de leite...
Sinto-a lenta,  flutuando, dispersa no ar.


Tão bonita...


Enquanto tocar, dança comigo?
Com os olhos fechados, pés leves e mãos firmes em minha cintura.


Mas só comigo,
que essa música assim, desse jeitinho,
sou só eu que ouço. 





terça-feira, 8 de maio de 2012





























Tem um fio de aço que perpassa o coração da gente...
Que liga as almas todas uma nas outras...
É uma coisa densa que dói, dói, dói,
dói TANTO,
que de repente ou vira paz e sossega ou vira chorume e apodrece pra sempre.

Então é isso (!?),  não importa o quanto a humanidade já te surpreendeu, quão boquiaberta já te deixou, as pessoas ao teu redor ainda vão te surpreender com algo feito da matéria mais inesperada, algo assombrosamente alheio a tua vida, algo novo de fato, feito do escuro mais escuro que o desconhecido mais longínquo pode te mostrar, algo -contraditoriamente- estupidamente óbvio em se tratando de seres humanos. Será? Não consigo imaginar até onde vai o fundo do fundo da feiura que uma alma pode ter...

A gente vive, vive, vive, vive que só, só pra entender que os clichês estão quase sempre certos, que aqueles lugares-comuns, dos mais comuns, não passam de verdades. Que aquelas frases todas que foram repetidas a exaustão por toda a sua árvore genealógica, por todos os sábios e ignorantes que a humanidade criou, por todos os porres nos bares, os professores na escola, os molequinhos nas ruas, os avôs em suas cadeiras de balanço, os motoristas de taxi, os melhores amigos, os livros, enfim que todas essas palavras proferidas em looping por essas bocas todas da vida, simplesmente têm razão. Nessa hora caem umas gotas grossas de desânimo na testa.

Ah não! Por favor! Por favor! Por favor! Improvável, impossível do universo, seja lá o que for, venha do infinito pousar na minha frente e me provar que a vida e as pessoas não são tão óbvias assim. Vem logo!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Não,



                                                            


           
































não me servem as metades.

Aqui (ou Memórias Do Cárcere)_Cordel Do Fogo Encantado
Vou 
Vou pregar na parede
Um pedaço de céu
Que você me mandou

Vou buscar outra constelação
Entre a noite que vai
E o dia que vem

Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo

Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro...
(morro)

Vou 
Vou riscar no meu braço
Um pedaço de mar
Que você me deixou

E criar outra recordação
Do primeiro lugar
Que acordei pra te ver

Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo

Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro... 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

sobre perfeição

Ou serei eu quem não estará lá?

                                                                                                                                                      http://rafaelsica.zip.net













Que fotos serão essas que olharei taciturna sentada na beirada da cama?
Do que sentirei saudade?
Quem não estará lá?
O que  falarão a mim os ventos de meus bolsos?
Que cor terá a linha puída que prenderá o último botão da minha bata florida e surrada?
Que ausências serão essas que me esmagarão a alma?
Que memórias preencherão de sépia o quarto ao meu redor?
Que tamanho terão meus cabelos brancos?
Quem estará a me encarar de dentro da xícara de café?






Eu quero o perto,

Daquele mais perto que tem,
que escancara as grandezas.
Sim, aquele que desmascara nossas pequenisses viciadas.
Quero aquele perto que de tão perto mostra tudo o que é. O que de tão perto não sente necessidade de ocultar.

Quero aquele perto que desfoca, que distorce os limites...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tudo é pelas pessoas. É tudo muito mais duro do que parece, é tudo muito mais fundo.
Tenho a impressão que as coisas todas só são por causa delas....
É tudo tão de verdade... Não parece haver nada que passe em branco à vida.
A gente tá aqui. A gente é.
(socorro!!?)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Detalhes

Pois é, os detalhes...
Percebi que se os amplio
é na tentativa de encobrir o tamanho esmagador de certas coisas demasiadamente grandes...


"Os fatos são sonoros mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro que me impressiona." Clarice Lispector

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Acho que podemos conviver duzentos anos com um ser humano que ainda assim sua alma continuará sendo um universo infinito, (quase) impenetrável, um buraco-negro, um abismo, toda a ordem e todo caos...
Só conhecemos das pessoas aquilo que por elas nos é permitido ter acesso.
O que sobra de suas almas além daquilo a que acessamos é desconhecido e adormece por detrás da acomodação e das muitas mentiras (consentidas ou não).
Esse resto todo dança inquieto nos vãos de cada caos interior.

sexta-feira, 23 de março de 2012




De sentimentos a árvores,
de estados de espírito ao pulsar das veias,
de pedras a pessoas...
a textura
das coisas todas
muito me interessa.

terça-feira, 20 de março de 2012

De repente o escuro é um tipo de luz...

Hoje pensei na sombra como um outro tipo de luz, não como a ausência dela, mas como outra forma de luminosidade, com partículas, matéria... Fiquei pensando no quanto a gente tenta evitar o contato com o escuro, com o que não é luz. Talvez pelo peso que o escuro carrega... Pensei nisso estando num lugar muito grande, vazio e escuro. Quer dizer, vazio não, ali estava cheio de alguma coisa densa, o escuro junto com o silêncio formaram uma matéria tão concreta quanto todos aqueles assentos sem ninguém e tão sufocante e misteriosa quanto uma floresta inóspita.
Enfim...  Sei que provavelmente tudo isso deve ser científicamente estúpido. Em alguma mente -ou mesmo em muitos livros- do mundo deve haver uma explicação clara e óbvia pra que isso seja besteira. Normal.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Não quero mais saber de nós.



As linhas todas, sejam longas, sejam "entre", sejam tortas, sejam ásperas... As quero.
Se tiverem que arrebentar, que arrebentem.
Se tiverem que se esticar, que se estiquem. 
Se tiverem que ser tênues, que sejam. 


Se for pra serem infinitas, que seus não-começos emendem com seus não-fins...
Que se enrolem, que se fortaleçam, que sustentem algo ou que levem pra algum lugar... 


Que não deixem de ser linhas,
e que não deixem de haver também os laços,

...mas que não haja nós.







segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

frio súbito de estamira na alma

Nossa senhora da liberdade,
onde quer que estejas dentro de mim, livrai-me dessa armadura.
Todas essas cascas que brotam como espasmos e se aglomeram me cobrindo e me imobilizando,
fazendo arder os olhos e me agoniando o juízo...
Derreta-as!

Não quero mais me proteger. Preciso me abster das defesas.

Quero
-nua diante da existência-
apenas ser.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Muiraquitã



















Usei o pedido daquela estrela que me devolvestes...
E o resto já sabes. (:

sábado, 7 de janeiro de 2012

Eu gosto do estrago

"É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? (...) Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós."

Foi Kafka quem disse isso, e eu gosto muito dessas palavras, talvez pelo fato delas representarem a forma como tento lidar com a vida ou o aspecto da vida pelo qual, consciente ou inconscientemente, mais me atraio.

domingo, 25 de dezembro de 2011

"O Silêncio" de Mohsen Makhbalfaf.

"É preciso fechar os olhos pra enxergar. A visão nos distrai."



 ......




Outra raridade que conheci  neste ano. 
Com sons, texturas e detalhes encantadores. 
Esse é um filme simples e lindo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Três filmes que tive o prazer de conhecer em 2011:


O Céu de Suely, de Karim Aïnouz;
O céu no Andar de Baixo, de Leonardo Cata Preta e
José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes



"Quanto é a passagem pro lugar mais longe daqui?"



"O que um pé de manga espada sabe sobre o amor,
além das marcas deixadas por bêbados e vândalos?"



“Olha que coisa linda que acabei de dizer, Pilar: 
eu tenho ideias para romances e você tem ideias para a vida. 
O que é mais importante?”.
“Eu não sei, mas acho que são ideias para a vida”










FOME!

Ano estranho esse dois mil e onze...

Definitivamente, a palavra que o descreve é intensidade.
Não sei ao certo quantos anos se passaram dentro desse, sei que muitas pessoas esbarraram em mim por caminhos infinitos, assim como muitos caminhos esbarraram em mim por pessoas infinitas.
Não me lembro de em toda a minha vida ter permitido tamanha invasão em meu território... Não me lembro de ceder tantos lotes de mim assim...

Vivi momentos de sentir a eternidade nas mãos, de ouvir a música do universo e notar que o ritmo se assemelha ao do meu coração.
Teve riso, muito riso. Teve brilho em muitos olhos. Closes, zoons e tudo o que é o mais perto possível. Teve laço, teve abraço, teve plano, teve suor, teve cansaço, teve amor, amizade, teve ódio, teve muitas flores, muitas nuvens. Nuvens demais.

Fui ao céu e caí de lá várias vezes. Criei asas e troquei as penas numa velocidade até então desconhecida. Fui deus e fui também demônio.

Muitos acasos e muitas borboletas me levaram a lugares aonde eu queria exatamente estar e a outros nos quais nunca me imaginei, pelo contrário, sempre evitei, repudiei...
 Recebi marteladas as quais já fazem parte do que sou hoje e já me arrancaram um punhado bem grande de qualquer leveza que eu pudesse possuir até então. Agora em algum lugar aqui dentro há muito espaço pra ser aço, pedra e lama, onde antes sempre foi jardim.

Meu corpo virou -mais que nunca- um trombolho desgovernado. Me saturei de mim. Me expeli de mim. Minha mente virou um ruído de fora do ar.

Implorei pra que o mundo parasse, pra que eu pudesse descer, mas que nada, ele só acelerou.
Nunca agi tanto, nunca mudei tanto, nunca falei tanto, nunca dancei ou chorei tanto quanto nesse ano. Nunca havia vivido tantos ''tantos'' assim.
Muita coisa bonita. A beleza superou a maldade, de longe.

Nasci e morri mil vezes. Como sei que deve ser.

Fechei os olhos e quando os abri, notei que estavam mais abertos que antes.
Sobraram ainda muitas folhas secas, explosões e silêncio. Sobraram ainda muitas coisas que não deveriam sobrar.

Esse foi um ano de muitas voltas ao infinito. Um ano doido, frenético, neurastênico, caótico... Amei ele por isso.
Prefiro o movimento, mesmo que requeira sacrifícios montanhosos.

O que fica é uma grande tontura de quem fez e sentiu muito, tudo ao mesmo tempo.
O caos de sempre, mas elevado a alguma potencia desconhecida.
Fica uma náusea, uma febre, uma vertigem.

Termino esse conjunto de meses sendo muito menor do que sempre fui.
Com medo, encolhida num canto.
Mas com uma ânsia gigante de vida, de universo, de gente.




Dois mil e onze me presenteou com muita sede, e com muita fome de horizonte.
Infinitamente, obrigada.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

janela da alma

É muito bom olhar e achar que conhece o que há embaixo da superfície.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Desses mundos e seres fantásticos, ficam apenas sopros e sombras fantasmagóricas...
Silhuetas de vácuo, vultos indefinidos.

Resquícios de nada.
Assombro.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Mudançemos

Eu mudanço. Tu mudanças. Ele mudança. Nós mudançamos. Vós mudançais. Eles mudançam.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ao Bolota, que nunca mais vi.

Hoje, "nhori nhori" tá ecoando na minha cabeça.


Ai, queria te mostrar tanta coisa...
Queria te dizer das coisas que tenho feito, ias gostar muito eu sei. Saudade de conversar contigo. 
Uma saudade gigante de parar naquela praça toda vez, de beijar aquela careca e em seguida aparecer do nada na tua cozinha depois de tirar a cortina de pano do caminho. 
Saudade de colocar os papéizinhos das comandas naquela caixa de madeira, cheia de quadradinhos. De sentar do lado daquele papai noel piauense e com ele jogar conversa fora, observar as pessoas e ouvir suas histórias. 
Saudade de ter ciúme de vocês com todo mundo. Saudade de te prometer uma viagem pra Fortaleza, de me convidar pra ir na sua ilha legal. 


Saudade de vê-los quando queria, dos abraços macios e aconchegantes, de contar quantos navios tinham no rio, de ver a lua nascendo da água, de assistir aos mesmos dvds piratas de sempre, de lavar as tulipas sujas de cerveja, de convidá-los pros nossos picnics, de ouvir suas vozes, suas gargalhadas, suas reclamações. De enxergar o cansaço nos seus olhos, de sentir a força das ausências em suas almas.


Ainda bem que vocês passaram por mim, ainda bem que fizemos parte dos universos um do outro.
Saudade de vocês aqui.




Quanta falta. 



ainda tem algo errado


do que não consigo saber



dragões

moinhosdevento

estrelasapagadas

amoràscausasperdidas

tudoenada

oquenãotemsignificado

oquenãoseconhece

oqueéinfinito

oquesóexistepramim

silenciosquerasgam

ondevivemosmonstros

oqueeuinvento

comoeuvejo

oquerealmenteimporta

oqueédefato

.caos.

engoliromundo

seapaixonardenovopelavida

oquefazasplantascrescerem

quemseimporta

edaí?

muitasperguntas

muitaambição

parardequerertantacoisa

parardequerertantacoisa

.parar.

cacos

buracosnegros

nebulosas

oquenãodápraexplicar

oquenãosedeveexplicar

.oqueeunãoquerosaber.

.Eu quero.

Me esconder nas pinturas de Klimt ou nos olhos vazios das pessoas de Modigliani...
Todas as suas cores e todos os seus sentires.
Suas linhas, suas curvas, seus corações. Seus pesares.
Eu quero.







sábado, 3 de dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

passei por aquela praça, 
lembrei do que nunca existiu.

sábado, 19 de novembro de 2011

E se

E se eu tiver me perdido num espaço entre a melodia de uma música, umas páginas tristes de Fernando Pessoa, o arrastar dos meus pés por calçadas cheias de pó e o deslizar de minha sombra na aspereza dos muros?

E se eu tiver ficado numa rua vazia por onde passei, nos olhares ocos que encarei ou na bicicleta que vi passar levando o casal de velhinhos?

E se eu tiver acompanhado a parte do lápis de cor que vai pro lixo quando apontado? E se o vento tiver me levado? E se eu tiver ficado presa num outubro que nunca vai ter fim?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

desatar o nós

No nada, a nau frágil afunda segue. Tudo se esvaindo pelo ralo.
-águas revoltas-

maremotos e naufrágios,
mares mortos e nós frágeis
-desatar-


nós



naus, frágeis,
mares
e mortos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011






quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Carta aos loucos - Carlos Nejar

"Anotou que ao redor de todo o círculo, um outro pode ser traçado; e que não há fim na natureza, mas todo o fim é um começo. E eu não esquecia que cada ato é um círculo e cada profundeza gera algo mais profundo."

(o trecho preferido do meu livro preferido)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

pavor

Foto: Alexandre Brito












                                     m        
                                     
                                             o                              



       
                                         


                                                          r                                      





                                                                               r                                                        


                                                                                                                                   


                                                                                                                                 i.








foto da internet

























terça-feira, 4 de outubro de 2011

descompassos

o rastro do meu caminhar tem deixado flores secas pelo chão

que eu nunca esqueça do encanto que há.




desfocada mente



p. n.


Não sei : a pior resposta pra se ouvir, principalmente quando tudo o que se quer é um  sim ou um não. Mas é, talvez, a mais verdadeira. Tenho pra mim que mesmo quando optamos pelo sim ou pelo não, a resposta “certa” é o não sei. A gente gosta de fingir que sabe, e fazemos isso tão bem que até mesmo nós acreditamos.
O não sei reflete muito bem a confusão que é a nossa mente. Quando ouço um não sei, quase posso enxergar milhões de palavras, imagens, sentimentos, sons, silêncios, possibilidades, experiências e situações diversas flutuando embaralhadas na parede mental de quem fala. Nesses instantes capto e sinto a ânsia de quem procura incessantemente sem saber exatamente o que procura. Por que além das infinitas respostas, há infinitas perguntas. Qual escolher? Definitivamente, não sei.

domingo, 2 de outubro de 2011

luz dos olhos para anoitecer

De tanto dar murros em pontas de faca, suas mãos ficaram dormentes, e logo toda a sua alma adormecera. Nada mais sentia.
Ela queria mesmo que aquilo cicatrizasse logo, mas, apesar de não perceber, na verdade não conseguia parar de cutucar as feridas que ela mesmo abrira.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

prece

Que eu não perca a noção da proporção "real" das coisas.
Que essas lupas em meus olhos, ouvidos e mãos,
assim como esses caleidoscópios na minha alma, não me tornem ainda mais tola.
Que eu nunca esqueça de enxergar sob perspectivas maiores -a da eternidade se possível.
Que eu nunca assimile por completo a pretensão de não ser ainda mais tola.
Que eu nunca esqueça de me reposicionar diante do universo.
Que eu nunca esqueça de todo o encanto que há.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Limitados e infinitos, somos tudo e somos nada... Acho bacana isso de ser gente.



vida, dai-me malandragem.

"Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

recreio

  

















Sujar as mãos, as calças, a roupa toda. Me ralar, me machucar. Me arrebentar, quebrar a cara, um braço (quebrar as pernas), enfim... Eu posso, que é agora o momento das cicatrizes duradouras, da formação da pele grossa que vai me proteger mais adiante. É agora a hora de sentir as dores insuportáveis dos baques dos cotovelos na dureza das quinas dos brinquedos do parque, só pra saber depois que existem dores maiores e que essas minhas são infimamente suportáveis. Assim como é o momento de cair aos prantos por querer aquela bicicleta ou aquele tênis que acende quando a gente pisa, só pra saber depois que posso muito bem viver sem eles, e que existem milhões de bicicletas e tênis espalhados por esse mundão, que nunca deixarão de existir apenas por que eu não posso tê-los e que querer outras coisas é só uma questão de escolha, e sou eu que comando isso. 



Faz um tempo que eu me sinto assim, no recreio. 
De repente ele até dure pra sempre, não sei... Por enquanto me resta entrar na ciranda e brincar sem maiores pretensões.
nãodeviastersemetidonessenegóciodeamordenovo

Suor na testa, olhos aflitos, voz baixinha que revela:
"Deixei a pipa ir embora!"
Não tem problema...Tem outra! Deixa aquela voar.


O bom  e o ruim de ser pipa, é que a linha pode arrebentar.

c'alma


"Não somos mais

Que uma gota de luz

Uma estrela que cai

Uma fagulha tão só

Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...
...
Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...
Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...
Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idadeQue a idade do céuA mesma idade
Que a idade do céu..."

[taquicardia]




 o pulso 
ainda pulsa.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Viver dói e é perigoso.
Engraçado... Eu não tenho medo. Nem do mundo e nem das pessoas.
Tenho medo é das palavras.
Palavras têm vida própria, são irrecuperáveis e quase incontroláveis.
Palavras são seres arbitrários que muitas vezes se tornam traiçoeiros.
Delas sim tenho medo.
As pessoas, essas dividem comigo os mesmo dramas, eu sei que o máximo de maldade que podem fazer é me matar.
As palavras, essas já não matam de verdade, mas matam da pior maneira, enquanto ainda estamos vivos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011